terça-feira, março 15, 2011

Estou muito revoltado, mas agora vou jantar

Se a manifestação da Geração à Rasca surpreendeu pelo número de enrascados que reuniu, já o resultado não foi grande espingarda.

Ao ver as imagens em directo do Rossio, pensei que podíamos estar perante um acontecimento magnânimo, qual praça Tahrir, no Egipto. Se alguém tivesse pegado na gaita para dizer «pessoal, ninguém sai desta praça enquanto o Governo não cair», eu queria ver o que seria de Sócrates.

Nada disso, porém. O pessoal desceu a avenida, bebeu umas cervejas, exibiu a sua criatividade nas palavras de ordem - a tal ponto que aquilo parecia mais um encontro do IADE do que propriamente uma revolta popular - e depois foi tudo à sua vidinha, como se nada fosse.

Mas para onde será que foram os enrascados, depois do Rossio? Para casa dos pais não acredito, porque eles dizem que não gostam e por isso teriam optado por ficar no Rossio. Para o Bairro Alto mamar copos também não estou a ver, porque se vivem uma crise tão grande, não há dinheiro nem disposição para curtir.

Por que deixaram, então, o Rossio? Como podem passar uma tarde a dizer que estão a ser explorados e depois seguir com as suas vidas burguesas? Assim ninguém acredita que estão muito chateados, ficando mais a sensação de birra passageira.

Mas calma, porque há novidades. Segundo sei, os organizadores desta manif pop lançaram entretanto um fórum de debate de ideias no Facebook. Vejam bem: um fórum para debater de ideias! Dizem-se apartidários, mas já estão iguais aos partidos, pois transformam a acção política em fóruns para debater coisas e encontros para discutir nada. Agora vai tudo ter ideias para o Facebook. Uau. «Eu acho que bla bla bla», «eu penso que tec tec tec».

Enfim, isto da Geração à Rasca podia ter sido muita coisa ou acabar por não ser nada. Acabou por não ser nada.

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