Armando Vara, ex-administrador executivo e vice-presidente do BCP, encaixou 260 mil euros de remuneração fixa e um acerto de contas de 562.192 euros por ter saído antes do fim do mandato, num total de 882.192 euros. Isto em 2010, ano em que não exerceu funções por ter sido constituído arguido no processo Face Oculta. Repete-se para aí que é uma prioridade nacional a recapitalização do “nosso” sistema financeiro. Uns chamam-lhe “nosso” com toda a propriedade. Recapitalizam o sistema com, entre outros, um regime fiscal de favor. O sector, por sua vez, recapitaliza-os a eles. Depois, há os outros. Chamam-lhe “nosso” por mero patriotismo bacoco ou por estupidez natural. Recapitalizam-no perdendo salários, perdendo em impostos, perdendo direitos, perdendo serviços públicos, perdendo os empregos que se vão na torrente das perdas anteriores. Pagam taxas de juro e comissões bancárias que estão entre as mais altas de toda a Europa. Assistem impávidos à nacionalização da delinquência do sector que o país foi chamado a pagar. E ainda votam maioritariamente nos partidos que colocam esta malta toda a ser recapitalizada sem a necessidade sequer de fingirem que trabalham. Esta crise não é importada. Esta resignação e este alheamento são de produção exclusivamente nacional.
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