As questões respeitantes ao urânio empobrecido (depleted uranium, DU) e à sua toxicidade transcenderam, nestes últimos anos, o âmbito da ciência. O autor trata da protecção radiológica desde há vinte anos e do urânio empobrecido desde 1999. Após uma experiência de publicação de documentos científicos em revistas académicas, actas de colóquios internacionais e conferências na Itália sobre DU, este artigo tenta estimar os possíveis impactos ambientais e sobre a saúde da utilização do urânio empobrecido na guerra da Líbia (2011).
Informações sobre a sua utilização tem aparecido nos media desde o princípio do conflito. Em particular, foram utilizados mísseis Cruise desde os primeiros dias e mostraremos aqui que há a forte suspeita de que estes mísseis contenham Urânio Empobrecido tanto nos seus estabilizadores de voo como nas asas, ou como peso potenciador de energia cinética. Na última semana do conflito, aviões A-10 foram destacados e estes também são conhecido por utilizarem balas DU.
O ICBUW (International Council for the Ban of Uranium Weapons) tem tratado a fundo da questão. Declarações da US Air Force de que os aviões A-10 não estão a utilizar balas DU serão adoptadas como hipótese de partida, sendo entretanto muito suspeitas uma vez que em todos os conflitos passados (Balcãs, Iraque, Afeganistão) aviões A-10 utilizaram amplamente munição DU. Outras armas suspeitas de também conterem DU, tais como os aviões AV-8B, são apontadas aqui, mas não consideradas nos cálculos e avaliações seguintes, os quais se centram amplamente nos mísseis Cruise.
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