Primeiro não ia, depois acabou por ir. Pequeno grande detalhe, quando disse que não iria, António José Seguro ainda não tinha conhecimento do consenso alargadíssimo que realmente importa para o futuro do país, o manifesto dos 74 foi tornado público entre o não ir que transformou em ir sem se posicionar claramente sobre a reestruturação da nossa dívida, da qual já muito poucos duvidam dependerá o futuro do país, talvez até o seu próprio futuro na liderança do PS. Aproveitou Passos Coelho, que insistiu até Seguro ceder. Cede sempre. E lá cedeu, com o pretexto barroco do costume. Responsabilidade, sentido de Estado e essas coisas
.À saída, e não foi uma reunião qualquer, atenção, durou três longas horas de árduas negociações, António José Seguro diz: “Há uma divergência insanável no que diz respeito à estratégia orçamental. Nós consideramos que o país deve equilibrar as contas públicas (…) o modo, o caminho, a estratégia para o equilíbrio das contas públicas é o que nos opõe. Não nos opõe hoje mas desde sempre” Mas qual modo? Qual caminho? Qual estratégia? Desde sempre e não hoje?
António José Seguro responde logo a seguir. Diz que "já existe um consenso político entre o PS e o Governo, lembrando que os socialistas votaram favoravelmente o Tratado Orçamental e deram luz verde à inscrição da regra de ouro na Lei de Enquadramento Orçamental." Bem lembrado. À bruta, luz verde à ultra-austeridade que os une desde sempre e não desde hoje. Um manda e outro quer mandar. Aqui está a "divergência insanável". E nada a ver com reestruturação da dívida. Nenhum dos dois a defende. Se Seguro não aproveitou o manifesto dos 74 para descolar de Pedro Passos Coelho, e objectivamente não o fez, definitivamente dali nunca virá nada em que valha a pena apostar.