A realidade é muito esquecida por quem não estuda e se refugia na ideologia, em posições políticas alicerçadas numa fé clubística ou na vacuidade televisiva. Uma sucinta recordação de tempos históricos recentes revela aspetos demolidores para certos meios políticos populistas.
Portugal teve duas intervenções do FMI, uma em 1977 e outra em 1983/85 por problemas resultantes dos desequilíbrios nas contas externos que, por sua vez se relacionavam com a debilidade da economia portuguesa, então ainda antes da desindustrialização.
Essas crises foram acompanhadas de desvalorizações da moeda e de enormes taxas de inflação que, como se pode observar (graf. 1), são as maiores dos últimos 40 anos. Da inflação resultaram grandes quebras nos rendimentos do trabalho – de 67 para 57.8% do PIB entre 1976 e 1978 e de 55.4 para 45.6% entre 1982 e 1986, tendo ainda, neste último período, acontecido uma outra calamidade, a do início do predomínio de Cavaco na política portuguesa. A situação melhorou com as ajudas de pré-adesão à UE e ajudou a ultrapassar a recessão de 1983/85, tão grave que exigiu um governo de unidade no seio do partido-estado, PS/PSD.