quarta-feira, setembro 03, 2014

Eleições à vista

Banco “bom”, banco “mau”. Partido “mau”, “que se lixem as eleições”, eleições à vista, partido “bom”. E as eleições são já para o ano. O Governo recuou e já não vai avançar nem com o aumento da taxa de IVA, nem com a subida da Taxa Social Única (TSU). Esta opção do Executivo eleva para 662 milhões de euros o desvio relativamente ao imposto pelo Tratado Orçamental com que começa a preparar o Orçamento do Estado para o próximo ano, o último com cortes salariais na Administração Pública pelo menos até nova decisão grotesca do Tribunal Constitucional. E no ano imediatamente a seguir? Sem cortes salariais, em 2016, o Governo do partido “mau” que consiga levar a melhor sobre a concorrência mesmo sem se comprometer a rasgar o malfadado Tratado Orçamental, seja ele o PSD ou o Novo PS, irá tomar medidas para não desagradar à rainha Merkel e à sua corte de Bruxelas. Que medidas serão essas? Privatização de serviços públicos e respectivos despedimentos? Mais aumentos brutais de impostos sobre o trabalho e sobre o consumo? São partidos “bons”, não falam sobre estas coisas. A Alemanha quer um super Comissário não eleito com o poder de vetar os Orçamentos aprovados pelos parlamentos nacionais eleitos democraticamente em cada país da União Europeia. Os partidos “bons” do arco da subserviência também não lhe disseram que não. Povo "bom", povo mau. O "melhor povo do mundo" resiste sempre muito bem a estes testes de stress à sua capacidade de comer e calar. “Ai aguentam, aguentam”. "Não há-de ser nada". 

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