Sete anos após o estouro da bolha que atingiu em cheio o mercado imobiliário e o setor financeiro, resvalando para toda economia, o capitalismo continua sem rumo. A abundância de dinheiro fictício gerado pelos mecanismos de compra pelo Fed de títulos da dívida pública e papéis privados lastreados em hipotecas de créditos podres, transbordou dos países desenvolvidos para os emergentes na forma de capital especulativo, que ao lutarem contra a apreciação de suas moedas mantem os juros baixos, alimentando as bolhas. É no setor imobiliário desses países aonde mais claramente se evidencia a formação de bolhas nos últimos anos. Nos países desenvolvidos a especulação tem se concentrado mais nas bolsas. No entanto, com dinheiro farto, mesmo sem substância, nenhum ativo escapa a formação de bolhas, não importa onde estão ancorados.
Outros sinais importantes da proximidade de novos abalos é o comportamento dos preços nas economias dos diversos países. Enquanto na Europa, Japão e EUA, o esforço dos bancos centrais é para que essas economias não caiam na deflação, o que se observa nos emergentes é exatamente o contrário, a inflação em franca ascensão. Excetuando os EUA, cuja economia se mantém pela política monetária “ultraexpansionista”, que já dá sinais de esgotamento além dos riscos, a maioria dos países europeus e Japão caminham para uma nova rodada recessiva, alguns se debatendo contra a “estagdeflação”, o que tem levado os bancos centrais da Europa e Japão adotarem estímulos monetários mais ousados, inclusive a possibilidade de aumentarem acompra de bônus soberanos. No outro lado do mundo o que assombra é estagflação, com muito desses países entrando em recessão com inflação alta, como o Brasil, outros já tecnicamente quebrados, como a Argentina. O que aparenta ser contraditório, inflação e deflação, na verdade são manifestações de um mesmo fenômeno: da crise de acumulação do capital e dos efeitos colaterais resultantes de medidas monetárias expansionistas com as quais pretende-se conter a crise.