segunda-feira, maio 04, 2015

Afastar Varoufakis não resolve o verdadeiro problema grego

A notícia de que o controverso ministro das finanças grego, Yanis Varoufakis, teria sido afastado das negociações com os credores do país, dando lugar a uma equipa liderada pelo ministro-adjunto dos Negócios Estrangeiros Euclid Tsakalotos, agradou evidentemente aos mercados financeiros europeus: na segunda e terça-feira, a cotações das acções subiram e as taxas dos títulos de divida Grega caíram abruptamente. Com o desbocado economista da teoria de jogos fora das negociações, os investidores acreditam que será mais fácil os dois lados chegarem a um acordo que evite a falência do governo de Atenas e a sua saída da Eurozona.
A curto prazo, a jogada poderá ajudar. O governo grego está virtualmente sem dinheiro, e as relações entre Varoufakis e os seus congéneres europeus tinha-se deteriorado de tal forma que a sua presença nas negociações constituía uma barreira ao acordo para a libertação dos 7.2 mil milhões de Euros em novos empréstimos, prometidos pela União Europeia em Fevereiro e dependentes de um acordo acerca do programa de reformas grego. Pôr Varoufakis à margem – este permanece como ministro das finanças e continuará a orientar as negociações – pode bem ter facilitado os compromissos de ambos os lados.
Na sua longa entrevista televisiva da terça-feira à noite, o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras mostrou-se confiante na obtenção de um acordo até 9 de maio, alguns dias antes do prazo de um avultado pagamento da Grécia ao Fundo Monetário Internacional. “Apesar das dificuldades, as possibilidades de ganhar as negociações são elevadas”, disse. “Não devemos dar lugar ao pânico”. Tsipras também afastou a hipótese de eleições antecipadas, uma opção que tem vindo à baila recentemente. No entanto levantou a hipótese de um referendo, caso a Grécia seja forçada a aceitar termos que estejam fora do mandato anti-austeritário do Syriza.
Partindo do princípio de que nenhum lado quer sair da Eurozona, tenho argumentado que um acordo será alcançado no último minuto. Relatos de Atenas sugerem que este consistirá na submissão de legislação por parte do governo do Syriza que implemente algumas das reformas pretendidas pela União Europeia, tais como a introdução de um imposto de valor acrescentado uniforme e a privatização de bens públicos, como portos e aeroportos. Em contrapartida, a U.E. poderá deixar cair, para já, algumas das outras exigências quem tem vindo a fazer, incluindo as alterações ao sistema de pensões grego e às leis do trabalho.