quarta-feira, junho 24, 2015

A casta treme

O auto-proclamado “europeísmo convicto” anda numa fona a tentar demonstrar que o Governo grego cedeu. Realmente, temos que concordar que cedeu. Não no essencial e não tanto como estes desassossegados pretenderiam, mas cedeu. E ainda não sabemos se a corte da senhora Merkel cederá ou não mas, pelo teor das posições que assumiram publicamente, também podemos dar como dado adquirido que cederá. A tão pouco tempo de eleições, só isto, a constatação de que quando há vontade política que os obrigue   a ceder eles cedem, a demonstração de que na Europa é possível negociar com cedências de parte a parte, seria capaz de pôr de calcinhas na mão três partidos  que sempre aceitaram de calcinhas na mão qualquer porcaria que lhes fosse vagamente sugerida pelo directório europeu. Se não negociaram não foi porque na Europa era mesmo assim. Foi mesmo assim porque eles nunca negociaram.
Mas há mais razões para se alvoroçarem. É olhar para um par de medidas inscritas na proposta grega e compará-las com o que as comissões liquidatárias do país que uns e outros encabeçaram têm feito por cá ao longo da última década e meia.
Por exemplo, em matéria de contribuições para a Segurança Social suportada pelas empresas e tributação dos seus lucros, os gregos prpõem um aumento da primeira e a criação de uma taxa de 12% sobre lucros acima de 500 mil euros. PSD, PS e CDS admitem haver problemas de sustentabilidade da Segurança Social mas estão de acordo quanto à necessidade de reduzir a TSU às empresas e, com os rendimentos do trabalho sujeitos à maior carga fiscal de todos os tempos, os três do arco aprovaram uma redução da tributação dos lucros que, tal como a redução da TSU que defendem, beneficia as empresas tanto mais quanto maior for a sua dimensão. Os gregos querem pôr os que mais têm a pagar o que os nossos três quiseram sacar aos que menos têm. E o directório que sempre lhes aplaudiu o que tiraram aos pobres para darem aos ricos ou aceita ou arrisca-se a dar um passo com consequências imprevisíveis quer para a moeda única, quer também para o projecto europeu. 
Afinal, havia alternativas. Sempre houve. Eles é que diziam que não. E em Outubro serão julgados nas urnas. O que é que irão inventar para explicar as velhacarias que andaram a fazer na última década e meia? Pois é. Tremam agora, é a vossa vez.


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