sábado, junho 06, 2015

Garantidamente

Ainda a refazer-se do número das “garantias” proporcionado pela dupla de aldrabões Irrevogável e Batatinha de anteontem, o país foi hoje novamente violentado com os números fabricados pelos doze apóstolos de Costa. Estamos em campanha, o que está a dar é “garantir”. Os primeiros garantem-se em tons de verde-ambiente e azul-mar,. Não vale a pena alargar-me em comentários sobre o valor de garantias dadas por quem passou quatro anos a mentir e a falhar, a desmantelar e a mentir, a vender e a mentir e a cortar e a mentir  a muito mais do que à constatação de que têm um descaramento do tamanho dos apoios incondicionais que lhes são dados pelos indefectíveis que os garantem, uns com votos, outros prescindindo de contrariá-los. Os segundos garantem-se em tons de rosa-tsu pintados em números. Também não me darei ao trabalho de comentá-los, o tamanho da lata  mede-se da mesma maneira, somando os fieis que incondicionalmente acreditam e multiplicando a soma obtida pela abstenção que transforma a sua fé em poder. O que sobressai deste festival de números em forma de leilão de promessas é o consenso sobre amanutenção da austeridade que tem empobrecido quase todos para enriquecer uma casta de protegidos que ambos querem continuar a garantir custe o que custar.

Os cavaleiros da austeridade redonda bem podem bombardear-nos com as suas contas mal amanhadas. Não há números capazes de esconder quem pretendem servir e de quem pretendem servir-se. É ver como preferem assaltar as reformas futuras de um sistema em ruptura reduzindo as contribuições para a Segurança Social  a devolver a quem trabalha a decência salarial   que com o PS no poder também continuará ao serviço da formação de grandes fortunas. Como preferem completar esse assalto reduzindo a TSU a quem emprega, tornando a borla tanto maior quanto maior seja o empregador, a criar condições para a redução da idade mínima a partir da qual os mais velhos podem ceder os seus postos de trabalho aos mais jovens sem sofrerem penalizações. Como também preferem transformar em dividendos de grandes empresas uma redução de impostos sobre lucros (IRC), outra borla tanto maior quanto maior a dimensão das empresas, a reduzir impostos sobre rendimentos do trabalho num dos países mais desiguais da Europa que ainda por cima tem uma das estruturas fiscais que mais beneficia lucros e mais sobrecarrega salários. Um país em agonia, uma economia a definhar, fortunas consensuais feitas de miséria consensual, presente e futura. As garantias oferecidas pelo arco a quem não se quiser garantir. Cuidado, eles voam.


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