Como já calculava, a propósito de ter escrito que na última semana de aulas ia deixar os alunos da turma de PCA usar as duas aulas de Introdução às TIC - com consentimento do órgão de gestão - para um mini-torneio de Playstation, logo apareceu (o comentador h5n1) quem contestasse essa decisão de uma forma tão elaborada e sofisticada, que sinto ter decidido cometer um pecado capital de lesa qualquer coisa.
A propósito de uma compensação simples pelo trabalho que um conjunto de alunos com um longo historial de insucesso escolar que este ano parecem ter-se redimido de erros passados, é produzido um discurso que mistura tudo e mais alguma coisa, confundindo níveis completamente distintos de argumentação e fenómenos perfeitamente díspares. Desde tal medida legitimar a política educativa do Ministério a estar a infantilizar e a lançar num “vazio intelectual” os alunos por deixá-los fazer uns jogos, tudo parece estar mal em tal decisão.
Sinceramente, e para palavrear Mia Couto, despercebo tal forma de encarar as coisas e não entendo sequer que modelo se preconiza para trabalhar com uma turma com estas características. Eu encaro o trabalho pedagógico como algo que pode ser pendular e com espaços de esforço e de descontração, especialmente com alunos que nos anos anteriores mantiveram com a escola uma relação conflitual.
Se é verdade que se me dá uma urticária tremenda ler aqueles textos poéticos, cheios de asinhas partidas e gaiolas que aprisionam e flores que esvoaçam e sementes que se lançam e tudo o mais, a mesma reacção é despertada pelo discurso simétrico do trabalho, muito trabalho, apenas e só trabalho, o resto é alienação, é vazio, é descalabro intelectual, é barbárie.
É certamente incapacidade minha, limitação intelectual, deficiente formação pessoal ou profissional, mas não percebo como pretendem que estes miúdos não abandonem o sistema, se o trabalho não for recompensado, para além da classificação académica, com a possibilidade de encontrarem na escola igualmente um espaço de lazer e prazer que podem não ter em outro lado. Será que o h5n1, nos meandros do seu discurso falsamente politicamente correcto se interrogou sobre qual é a forma alternativa de gerir o trabalho destes alunos e reintroduzi-los num percurso escolar normal? Não os deixar sequer respirar é a solução? A alienação e barbárie maiores não serão exactamente essas?
Ou será que os jogos que irão fazer é que são a razão de todos os males do sistema ou o símbolo maior de uma qualquer legitimação da política educativa do Ministério.
Meu caro amigo, opiniões são opiniões mas get a grip on yourself…
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