sexta-feira, abril 04, 2008

Guantanámo: o Campo de Concentração e de Torturas, a vergonha dos EUA

Encerrar o campo de concentração de Guantánamo: exigem activistas, grupos humanitários e ex-Secretários de Estado dos EUA

Por: David Brooks / A Jornada
Data de publicação: 29/03/08


Legenda: A lei terrorista (dos EUA) diz que Bush é quem define os parâmetros internacionais de tratamento dos prisioneiros. Bush diz: parece-me suficientemente justo, para mim.



Em Guantánamo há mais de 450 prisioneiros políticos internacionais

Nova York, 28 de março. Um inabitual coro de activistas contra a guerra, agrupamentos de direitos humanos e alguns dos mais prominentes diplomatas deste país defendem o encerramento da prisão de Guantánamo. Guantanámo é uma pequena ilha roubada a Cuba desde à quase um século (em termos legais continua a ser território cubano ocupado ilegalmente). A Amnistia Internacional anunciou nesta sexta-feira o começo de uma campanha de acções em que milhares de estudantes de mil e 600 escolas e universidades dos Estados Unidos realizarão durante uma semana eventos para exigir o fecho do campo de detenção estado-unidense na base naval de Guantánamo, Cuba.

"Os estudantes entendem que as violações contra os direitos humanos, especialmente aquelas cometidas por seu próprio governo, não se deterão se eles permanecerem à margem", assegurou Njambi Good, da campanha contra tortura de Amnistia Internacional, secção Estados Unidos. Acrescentou que estas mobilizações são em favor das "liberdades fundamentais e, por tanto, contra instalações como as (da base de) Guantánamo…" Enquanto isso, cinco ex-Secretários de Estado – Colin Powell, Henry Kissinger, James Baker, Warren Christopher e Madeleine Albright – apelaram nesta sexta-feira a que o próximo presidente estado-unidense feche o centro de detenção em Guantánamo.

Todos eles, reunidos num forum da Universidade de Georgia, coincidiram em afirmar que Guantánamo mancha a reputação internacional de Estados Unidos. Fechar a prisão, disse Powell, quem foi chefe da diplomacia estado-unidense no primeiro período presidencial de George W. Bush, "anunciaria ao mundo que agora estamos a regressar a nossas respectivas formas tradicionais de lidar com gente que potencialmente cometeu delitos".

Kissinger assinalou que Guantánamo é "uma mancha" sobre os Estados Unidos, enquanto Baker afirmou que "nos dá um muito mau nome, e não só internacionalmente", reportou a agência AP. Outros agrupamentos e organizações de direitos humanos, defesa de direitos civis e legais, junto com uma infinidade de políticos, condenaram a existência do centro de detenção.

Junto com Amnistia Internacional, o Human Rights Watch e quase todos os grupos destacados de direitos humanos, apelaram durante anos a que se feche essa prisão, enquanto organizações como o Centro de Direitos Constitucionais e outras apresentaram casos legais ante os tribunais nacionais (inclusive a Suprema Corte) e internacionais para denunciar a violação de direitos civis e legais que se comete com a existência desse centro de detenção. Um advogado prominente de Estados Unidos comentou em Washington ao jornal (mexicano) "La Jornada" que "nunca na minha vida esperei ver que meu próprio país operasse um campo de concentração. Que vergonha!".

O centro de detenção na base naval estadunidense de Guantánamo começou a operar em 2002 e hoje em dia há aproximadamente 275 homens detidos procedentes de uns 30 países – alguns chegaram como menores de idade e outros após ser torturados em prisões secretas da Agência Central de Inteligência (CIA) ou pelas autoridades de outras nações como um suposto favor a Washington. A esmagadora maioria nunca foi formalmente acusada de algum delito, e não goza de quase nenhuma das garantias legais dadas aos prisioneiros de guerra pelas Convenções de Genebra nem as outorgadas pela Constituição dos Estados Unidos, por ordem executiva do presidente George W. Bush, e, por tanto, não têm direito a questionar sua detenção ante algum tribunal independente.

Ver também: Os Estados Unidos criam no Afganistão uma sucursal de Guantánamo e Abu Ghraib
08/01/08 - Com a construção de um centro de detenção de alta segurança à saída de Kabul, Washington procura contar com um um novo Guantánamo no Afeganistão, para transferir as centenas de presos políticos que actualmente estão encarcerados no Centro de Detenção de América, estabelecido na base militar de Bagram, um dos polémicos cárceres que os EUA possuem no exterior. Os Estados Unidos, que ocupam desde 2001 o Afeganistão, tentam contar com um um novo Guantánamo no país asiático, com a construção de um centro de detenção de alta segurança que permitir-lhe-ia a transferência de prisioneiros de sua guerra contra o terror, revelou na segunda-feira o diário The New York Times.
http://tirem-as-maos-da-venezuela.blogspot.com/2008/04/guantanmo-o-campo-de-concentrao-e-de.html

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