Eça de Queirós escreveu-me, muito magoado. Que neste ano em que já toda a gente está farta de ouvir falar de um homem de barba branca chamado Darwin e que parece o Pai Natal mas na verdade acabou com o Pai Natal Divino, segundo o Grande Jónatas, Apóstolo do Senhor, que neste ano, dizia, não se recorda a grande, a imensa, a maravilhosa homenagem prestada por Eça, por meio de Ega, ao grande Darwin. É nos Maias, quando Ega,vestido de Mefistófeles, está choroso com o fim do seu affair com a Cohen, a Raquelzinha:
— Se vocês soubessem que corpo de mulher! — gritou ele de repente. — Oh! meninos, que corpo de mulher... Imaginem vocês um peito...— Não queremos saber — disse Carlos. — Cala-te, tu estás bêbedo, miserável!Ega ergueu-se, retesando a perna, arrimado de lado à mesa.Bêbedo! Ele? Ora essa!... Era coisa que não podia, era empiteirar-se. Tinha feito o possível, bebido tudo, até aguarrás. Nunca! Não podia...— Olha, vou pôr aquela garrafa à boca, tu verás... E fico frio, fico impassível. A discutir filosofia... Queres que te diga o que penso de Darwin? É uma besta... Ora aí tens. Dá cá a garrafa.
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