Terminemos esta segunda parte. Contra o projecto renovado dos antigos Césares de uma unidade italiana, havia:
A constituição geográfica da Península;
As tradições municipais;
O princípio jurídico, republicano, da federação;
A ocasião favorável: a Áustria vencida, a França oferecendo a sua garantia;
A questão romana por resolver, o que queria dizer o Papado a secularizar, a Igreja a revolucionar;
A plebe a emancipar;
As susceptibilidades políticas e comerciais da França, o amor-próprio do Imperador, a gerir;
O progresso das nações a servir e o equilíbrio europeu a reformar, pelo desenvolvimento das federações.
O que se chama oportunidade, em política, não é uma palavra vã, ouso dizer que se encontrava lá.
A Democracia neo¬jacobina não admitiu nenhuma destas considerações. A geografia foi por ela mal entendida; – a história desdenhada; – os princípios espezinhados; – a causa do proletariado traída; – a ocasião desaproveitada; – a garantia francesa desconsiderada; – a questão romana mistificada; – a França ameaçada, comprometida; – o Imperador ferido; – o progresso europeu sacrificado, sob pretexto da nacionalidade, a uma conspiração de aventureiros e intriguistas. Nós conhecemos o desenvolvi¬mento.
Não dependeu senão de Garibaldi, em certo momento da sua carreira, dar à Itália, com a liberdade e a riqueza, toda a unidade que existe entre cidades independentes um regime de garantias mútuas, mas que se não encontrará nunca num sistema de absorção. Não dependia senão dele, suscitando as federações da Europa em lugar dessas nacionalidades para sempre extintas, tornar a República preponderante em todo o lado, e inau¬gurar com uma irresistível potência a Revolução económica e social. Direi que ele recuou perante a tarefa? Deus queira que não: teria sido suficiente que ele a apercebesse para que a quisesse executar. Garibaldi não compreendeu nada da sua época, em consequência nada da sua pró¬pria missão. A sua falta de visão é o crime dessa democracia retrógrada que ele escutou demais, desses empreiteiros de revoluções, restauradores de nacionalida¬des, estrategas da aventura, homens de Estado in partibus g), pelos quais ele teve demasiada deferência. Que ele possa, agora que o seu erro o vergou, nunca compreender em toda a sua profundidade a verdade que ele ignorou! A perca das suas ilusões, suportá¬la¬ia como filósofo, como herói; o seu arrependimento ser¬lhe¬ia demasiado amargo.
Disse quais eram os meus princípios: o que eu teria querido fazer, se estivesse no lugar de Garibaldi e de Mazzini; o que teria aconselhado, se tivesse tido voz na matéria; o que pensava ter suficientemente expresso na minha última publicação. Os Srs. democratas unitários saberiam dizer¬ me por sua vez o que quiseram e o que querem? Poderiam explicar o que entendem por Liberdade, Soberania do povo, Contrato social, e dar uma definição da REPÚBLICA?
g) Em latim, no original. Nas partes. (N.T.)
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