Dir-se-ia que como corolário dessa focagem obsessiva sobre os 16 por cento iniciais da República resultou o desaparecimento, no horizonte histórico/político, dos 48 por cento do fascismo salazarento. Grande passe de mágica! Ao que parece, esse enorme buraco negro está sendo aproveitado, neste ano de celebração republicana, para mais uma tentativa de branqueamento; ou seja, uma nova tentativa, em grande estilo, do revivalismo fascista.
No fim de contas – querem eles dar a entender – fascismo e fascistas foram um regime e um pessoal relativamente tolerantes e toleráveis que asseguraram meio século de prosperidade e segurança às boas famílias cristãs tementes a Deus e a Salazar. Ao contrário (a milhas!) da República, ateia e revolucionária que não temia as incursões monárquicas nem o Sidónio Pais. Os 48 por cento de ditadura+pide+censura teriam sido brandos safanões comparados com os 16 por cento da turbulência e das terríveis violências atribuídas aos façanhudos republicanos vencedores da camarilha clerical/ monárquica... A qual logo desencadeou a feroz contra-revolução/guerra civil de que resultou, em 1926, o pronunciamento militar do 28 de Maio e a consequente instauração de um regime de ditadura conservadora/fascista que iria prolongar-se por 48 anos.
O facto é que, neste ano comemorativo da República e seus feitos, as livrarias, a imprensa, as televisões regurgitam de implacáveis críticas ao regime fundador; em contraste flagrante com o desvelo e a avalancha de edições e programas em louvor do "saudoso" Salazar e seu Estado Novo. Enquanto para a I República e os primeiros republicanos abundam as observações depreciativas (exageros, erros, desacertos, demagogia e desordem, zaragata e terror popular, etc, etc), as repetidas menções ao "anterior regime", acólitos e proezas suscitam automática vénia de apreço e passadeira vermelha, por parte da generalidade dos "media", dos políticos burgueses e dos comentadores avençados.
No cenário ambíguo em que decorreram os festejos do centenário republicano, houve situações e aspectos que atingiram, carácter provocatório, sem que a Comissão Nacional das Comemorações (ou qualquer outra entidade institucional) se tenha manifestado. É o caso, por exemplo, do regedor da Ilha da Madeira que decidiu ignorar a efeméride; da Televisão Nacional que, praticamente, só "acarinhou" (o termo é de um dos "acarinhados") cronistas e comentadores de créditos anti-republicanos e filo-fascistas bem firmados; e muitos e variados "exageros, erros, desacertos e demagogia injuriosa" proferidos e publicados contra a I República e sua obra, denegrindo os protagonistas e heróis que a implantaram, por ela sacrificando vidas e venturas.
No fim de contas – querem eles dar a entender – fascismo e fascistas foram um regime e um pessoal relativamente tolerantes e toleráveis que asseguraram meio século de prosperidade e segurança às boas famílias cristãs tementes a Deus e a Salazar. Ao contrário (a milhas!) da República, ateia e revolucionária que não temia as incursões monárquicas nem o Sidónio Pais. Os 48 por cento de ditadura+pide+censura teriam sido brandos safanões comparados com os 16 por cento da turbulência e das terríveis violências atribuídas aos façanhudos republicanos vencedores da camarilha clerical/ monárquica... A qual logo desencadeou a feroz contra-revolução/guerra civil de que resultou, em 1926, o pronunciamento militar do 28 de Maio e a consequente instauração de um regime de ditadura conservadora/fascista que iria prolongar-se por 48 anos.
O facto é que, neste ano comemorativo da República e seus feitos, as livrarias, a imprensa, as televisões regurgitam de implacáveis críticas ao regime fundador; em contraste flagrante com o desvelo e a avalancha de edições e programas em louvor do "saudoso" Salazar e seu Estado Novo. Enquanto para a I República e os primeiros republicanos abundam as observações depreciativas (exageros, erros, desacertos, demagogia e desordem, zaragata e terror popular, etc, etc), as repetidas menções ao "anterior regime", acólitos e proezas suscitam automática vénia de apreço e passadeira vermelha, por parte da generalidade dos "media", dos políticos burgueses e dos comentadores avençados.
No cenário ambíguo em que decorreram os festejos do centenário republicano, houve situações e aspectos que atingiram, carácter provocatório, sem que a Comissão Nacional das Comemorações (ou qualquer outra entidade institucional) se tenha manifestado. É o caso, por exemplo, do regedor da Ilha da Madeira que decidiu ignorar a efeméride; da Televisão Nacional que, praticamente, só "acarinhou" (o termo é de um dos "acarinhados") cronistas e comentadores de créditos anti-republicanos e filo-fascistas bem firmados; e muitos e variados "exageros, erros, desacertos e demagogia injuriosa" proferidos e publicados contra a I República e sua obra, denegrindo os protagonistas e heróis que a implantaram, por ela sacrificando vidas e venturas.
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