quarta-feira, outubro 06, 2010

Bem vindo ao mundo 2010 de Orwell

Em 1984, George Orwell descreveu um super-estado chamado Oceânia, cuja linguagem de guerra invertia mentiras que «passaram à história e tornaram-se verdades. “Quem controla o passado”, apregoava o slogan do partido, “controla o futuro: quem controla o presente, controla o passado”».

Barack Obama é o líder de uma Oceânia contemporânea. Em dois discursos no encerrar da década, o vencedor do Prémio Nobel da Paz afirmou que a paz já não era paz, mas antes uma guerra permanente que «se estende bem para lá do Afeganistão e do Paquistão», para «regiões desordenadas e inimigos difusos». Ele chamou a isto «segurança global» e pediu a nossa gratidão. Para o povo do Afeganistão, que a América invadiu e ocupou, ele disse astuciosamente: «Não temos interesse em ocupar o vosso país».

Na Oceânia, verdade e mentira são inseparáveis. Segundo Obama, o ataque americano ao Afeganistão em 2001 foi autorizado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Não houve autoridade da ONU. Ele disse que «o mundo» apoiou a invasão na esteira do 11/Set quando, na verdade, todos menos três de 37 países inquiridos pela Gallup exprimiram uma oposição esmagadora. Ele disse que a América invadiu o Afeganistão «só depois de os taliban se recusarem a entregar [Osama] bin Laden». Em 2001, os taliban tentaram três vezes encaminhar bin Laden para julgamento, informou o regime militar do Paquistão, e foram ignorados. Mesmo a mistificação de Obama do 11/Set como justificação para a sua guerra é falsa. Mais de dois meses antes de as Torres Gémeas terem sido atacadas, o ministro paquistanês dos Negócios Estrangeiros, Niaz Naik, foi informado pela administração Bush de que um assalto militar americano ocorreria em meados de Outubro. O regime taliban em Cabul, que a administração Clinton tinha secretamente apoiado, já não era encarado como suficientemente “estável” para assegurar o controle da América sobre os pipelines de petróleo e gás para o Mar Cáspio. Tinha de ir embora.

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