sexta-feira, outubro 22, 2010

Os memorandos da tortura

Os memorandos da tortura liberados na semana passada pela Casa Branca provocaram choque, indignação e surpresa. O choque e a indignação são compreensíveis — em particular os testemunhos do Relatório do Comité dos Serviços das Forças Armadas do Senado sobre o desespero de Cheney-Rumsfeld para encontrar ligações entre o Iraque e a Al Qaeda, ligações que foram mais tarde urdidas como justificação para a invasão, independentemente dos factos. O antigo psiquiatra do exército, o major Charles Burney, testemunhou que «uma grande parte do tempo concentrou-se em tentar estabelecer uma ligação entre a Al Qaeda e o Iraque. Quanto mais frustradas as pessoas ficavam por não serem capazes de estabelecer esta ligação… mais pressão havia para recorrer a medidas que pudessem produzir efeitos mais imediatos»; isto é, tortura. A imprensa McClatchy reportou que um antigo oficial superior dos serviços de informações familiarizado com o tema do interrogatório acrescentou que «A administração Bush aplicou pressão sem descanso sobre os interrogadores para usarem métodos duros sobre os detidos em parte para encontrar provas de cooperação entre a Al Qaeda e o regime do antigo ditador iraquiano Saddam Hussein (…) [Cheney e Rumsfeld] exigiram que os interrogadores encontrassem provas de colaboração Al Qaeda/Iraque… “Houve constante pressão sobre as agências de informações e os interrogadores para fazerem o que fosse preciso para extraírem essa informação dos detidos, especialmente dos poucos de alto valor que possuíamos, e quando as pessoas continuavam a aparecer de mãos vazias, o pessoal de Bush e de Cheney dizia-lhes para tentarem com maior dureza”».

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