Este artigo critica as propostas feitas pela chanceler Merkel, o presidente Sarkozy (e Rajoy em Espanha) de introduzir mudanças constitucionais que proíbam aos estados incorrer em déficits e dívidas públicas. O artigo mostra os erros nos quais se baseiam estas propostas.
Uma das ideias mais daninhas que as direitas na União Europeia (Merkel, Sarkozy, Rajoy) estão a propor é incluir uma emenda na Constituição dos seus países que proíba ao estado ter déficits públicos. Argumenta-se que os estados têm que se comportar como as famílias e que, portanto, não devem gastar mais dos que recebem. Esta postura, amplamente estendida em meios conservadores e neoliberais, baseia-se em vários erros. Um deles é que desconhece o comportamento económico das famílias. Na realidade, as famílias endividam-se constantemente. Muito poucas são as famílias que quando compram uma casa ou um carro, por exemplo, pagam o seu custo total em efectivo. A maioria endivida-se. Sem se endividarem, as famílias não poderiam manter os seus níveis de vida. Pois o mesmo ocorre com o Estado. Daí o déficit e a dívida pública.
É preocupante uma elevada dívida pública? A resposta é que depende de como se gere. Por exemplo, se uma família se endividou para ir de férias às Caraíbas, o carácter da dívida é diferente do endividamento que a família tenha adquirido para facilitar os estudos dos filhos ou para comprar um carro necessário para ir para o trabalho. Nestes dois últimos casos, os gastos são investimentos necessários para aumentar agora ou no futuro o rendimento familiar. No primeiro caso, a dívida familiar era um consumo e não um investimento.
Sem comentários:
Enviar um comentário