quinta-feira, novembro 18, 2010

721 MIL

Segundo o jornal Público (e os dados do IEFP), há actualmente 721 mil pessoas desempregadas ou que desistiram de procurar emprego em Portugal. Destas, 609 mil estão desempregadas e 112 mil são consideradas "desencorajadas", isto é, não estão activamente à procura de emprego e, por isso, não contam para os cálculos da taxa de desemprego. Se tomarmos em linha de conta estas pessoas, o desemprego já atinge mais de 12,7% da população activa portuguesa. E se não contarmos com os desencorajados a taxa de desemprego já ronda os 10,9%. Simplesmente, estas são as taxas de desemprego mais elevadas desde a Primeira Guerra Mundial. Igualmente, uma das tendências mais assinaláveis relacionadas com a subida do desemprego prende-se com o crescimento do desemprego de longa duração, isto é, o desemprego superior a um ano. Actualmente, há 339 mil pessoas desempregadas há mais de um ano, e mais 89 mil do que em 2009. Para além dos inevitáveis reflexos nas contas públicas nacionais (mais desemprego significa mais prestações sociais), a tendência de subida do desemprego de longa duração é extremamente preocupante, visto que é muito mais difícil combater o desemprego de longa duração do que o desemprego de curto prazo. É exactamente por isso que muitos dos desempregados de longa duração, mais cedo ou mais tarde, ficam desmoralizados e optam por deixar de procurar novos empregos (e assim, como já disse, deixam contar para as estatísticas do desemprego). Lamentavelmente, ainda não existe entre nós nenhuma estratégia global de combate ao desemprego de longa duração, a não ser um eventual prolongamento do subsídio de desemprego (para as famílias de rendimentos mais baixos), o que, ironicamente, só tende a prolongar ainda mais a duração do desemprego.

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