TESES SOBRE PROUDHON
II
O capitalismo em todas as suas vertentes é a matéria prima do estudo da Filosofia.
O capitalismo domina majestaticamente as nossas vidas a todos os níveis, e esse é sem dúvida, um dos principais aspectos caracterizadores deste final de século vinte. As possibilidades de regressar ao que surge hoje como uma idade de ouro desapareceram e o capitalismo regressou de certa maneira ao seu modo de funcionamento natural, caracterizado pelas desigualdades, a desordem, a insegurança social, as guerras, a fome e o desinteresse em relação ao ambiente. Mas esse passo atrás faz-se a partir de conquistas sociais e de potencialidades tecnológicas qualitativamente diferentes em relação a todas as épocas anteriores. Hoje, seria possível assegurar a cada um condições de existência correctas, e é por essa razão que a estabilização do capitalismo na base do seu funcionamento actual é impossível.
Neste contexto, não é absurdo considerar a prazo a retoma de um movimento social que poderia beneficiar das condições tanto conjunturais como estruturais que se podem prever para os próximos tempos. Tendo em conta a persistência das falhas de fundo do sistema, cujos limites os trabalhadores têm experimentado, e que mesmo os governos acabam por reconhecer como tais, encontramo-nos de certa maneira numa situação de tábua rasa, em que as ilusões em parte desapare-ceram, e em que se torna possível avançar com exigências opostas às do sistema económico dominante. Deste ponto de vista, pode dizer-se que estão reunidas as condições para o movimento social passar, pelo menos em certos sectores, de uma atitude de defesa, mitigada por certa desmoralização, à afirmação positiva de reivindicações e de exigências dirigidas ao sistema e ao seu modo de funcionamento.
O tempo perdido terá pelo menos servido aos trabalhadores para fazerem a sua experiência e medirem a vacuidade das outras saídas ao desemprego. Nesse processo, a palavra de ordem de redução do tempo de trabalho está assim em vias de mudar de consistência: está na eminência de tornar-se a expressão de uma aspiração maciça a outro funcionamento da economia e da sociedade. Não se trata já de uma medida de ordem técnica e económica, mas do esboço de outra sociedade, de um projecto que já não se define por referência a um modelo realmente existente, mas abre o seu caminho a partir da expressão de aspirações imediatas. Entrámos numa fase do capitalismo em que exigências tão elementares como o direito a um emprego e a condições de existência civilizadas adquirem um conteúdo quase subversivo, tendo em conta a incapacidade crescente do capitalismo em satisfazer estas necessidades essenciais.
II
O capitalismo em todas as suas vertentes é a matéria prima do estudo da Filosofia.
O capitalismo domina majestaticamente as nossas vidas a todos os níveis, e esse é sem dúvida, um dos principais aspectos caracterizadores deste final de século vinte. As possibilidades de regressar ao que surge hoje como uma idade de ouro desapareceram e o capitalismo regressou de certa maneira ao seu modo de funcionamento natural, caracterizado pelas desigualdades, a desordem, a insegurança social, as guerras, a fome e o desinteresse em relação ao ambiente. Mas esse passo atrás faz-se a partir de conquistas sociais e de potencialidades tecnológicas qualitativamente diferentes em relação a todas as épocas anteriores. Hoje, seria possível assegurar a cada um condições de existência correctas, e é por essa razão que a estabilização do capitalismo na base do seu funcionamento actual é impossível.
Neste contexto, não é absurdo considerar a prazo a retoma de um movimento social que poderia beneficiar das condições tanto conjunturais como estruturais que se podem prever para os próximos tempos. Tendo em conta a persistência das falhas de fundo do sistema, cujos limites os trabalhadores têm experimentado, e que mesmo os governos acabam por reconhecer como tais, encontramo-nos de certa maneira numa situação de tábua rasa, em que as ilusões em parte desapare-ceram, e em que se torna possível avançar com exigências opostas às do sistema económico dominante. Deste ponto de vista, pode dizer-se que estão reunidas as condições para o movimento social passar, pelo menos em certos sectores, de uma atitude de defesa, mitigada por certa desmoralização, à afirmação positiva de reivindicações e de exigências dirigidas ao sistema e ao seu modo de funcionamento.
O tempo perdido terá pelo menos servido aos trabalhadores para fazerem a sua experiência e medirem a vacuidade das outras saídas ao desemprego. Nesse processo, a palavra de ordem de redução do tempo de trabalho está assim em vias de mudar de consistência: está na eminência de tornar-se a expressão de uma aspiração maciça a outro funcionamento da economia e da sociedade. Não se trata já de uma medida de ordem técnica e económica, mas do esboço de outra sociedade, de um projecto que já não se define por referência a um modelo realmente existente, mas abre o seu caminho a partir da expressão de aspirações imediatas. Entrámos numa fase do capitalismo em que exigências tão elementares como o direito a um emprego e a condições de existência civilizadas adquirem um conteúdo quase subversivo, tendo em conta a incapacidade crescente do capitalismo em satisfazer estas necessidades essenciais.
Sem comentários:
Enviar um comentário