sábado, novembro 20, 2010

O NEGRO E O VERMELHO

TESES SOBRE PROUDHON

VI

A filosofia está para o anarquismo como se de uma opção vital se tratasse.

Na relação que a nível cognoscitivo somos levados a elaborar entre o pensar e o agir, o libertário dá primordial relevância à dimensão prática do ser, o que está de acordo com a sua concepção materialista. É o caso de Bakunine que viveu intensamente a vida, tal a sua vontade em modificá-la. O mesmo se pode dizer de Proudhon, que recusava possuir um sistema fechado e determinista à maneira da ortodoxia marxista.
É a necessidade de suplantar o capitalismo que todos os órgãos de legitimação procuram ocultar. Mas eles não podem esconder a discrepância entre promessa e rendimento. Não podem esconder o facto de que, embora pertençam a sociedades ricas, continuam a existir nelas vastas áreas de pobreza; de que as medidas colectivas que tomam nos campos de saúde, bem estar social, educação, habitação, ambiente social, ainda não satisfazem as necessidades; de que o ethos igualitário que proclamam é desmentido pelos privilégios e desigualdades que conservam; de que a estrutura de dominação e sujeição; e de que o sistema político de que se vangloriam é uma versão corrupta e defeituosa de uma verdadeira ordem democrática.
O alvo imediato das suas reivindicações pode ser o patrão, a autoridade universitária ou o partido político. Porém, é com o Estado que os homens constantemente deparam nas suas relações com outros homens; é para o Estado que eles se voltam sempre como alvo das suas pressões; e é do Estado que eles esperam a satisfação dos seus anseios.
Sem dúvida que a suplantação do capitalismo, por outras palavras, a apropriação para o domínio público da maior parte dos recursos da sociedade não pode, por si só, resolver todos os problemas associados à sociedade industrial. Aquilo que pode fazer, contudo, é levantar as grandes barreira que obstruem uma solução e, pelo menos, criar a base de uma ordem social racional e humana.

Sem comentários: