segunda-feira, novembro 22, 2010

O Super-homem, a donzela e os danos colaterais

Há uns anos atrás a revista humorística norte-americana MAD ilustrava, num cartoon em dois desenhos, uma metáfora inesquecível. No primeiro desenho o Super-homem dirigia-se a alta velocidade na direcção de uma donzela, de braços e pernas atados, atravessada sobre os carris de um comboio que se aproximava a todo o vapor. No segundo desenho o Super-homem, já no chão, de pé entre os carris, exibia a donzela sã e salva num dos braços, enquanto que com o outro sustinha firmemente o comboio, de cujas carruagens completamente destruídas e empilhadas pendiam corpos esfacelados, membros humanos e sangue por todo o lado. Com um ar de satisfação pelo dever cumprido o Super-homem, em pose, sorria alarvemente.

Recordei mais uma vez aquele cartoon a propósito de a cimeira da NATO a decorrer em Lisboa, a sétima da sua existência de sessenta anos. Como as precedentes, destina-se a fazer a contagem dos actos de bravura praticados pela Organização nos últimos anos e, principalmente a renovar o stock de donzelas a salvar nos próximos. Como as precedentes, mandando às urtigas os prejuízos causados à humanidade, contabilizados na coluna dos danos ou efeitos colaterais.

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