sábado, fevereiro 05, 2011

Bananas sangrentas

– Corporação multinacional da banana desloca comunidades afro-colombianas

Desde o princípio de Dezembro, centenas de empreiteiros privados da corporação multinacional da banana Banacol invadiram e ocuparam ilegalmente comunidades de paz afro-colombianas na bacia do Rio Curvaradó a fim de limpara a terra para o cultivo da banana. As suas acções têm sido apoiadas e assistidas por paramilitares locais, soldados do exército e governos municipais.

O território colectivo das comunidades de paz é protegido pela Constituição da Colômbia e por medidas protectoras do Tribunal Inter-Americano de Direitos Humanos.

Segundo documentos divulgados pela organização colombiana de direitos humanos, Intereclesial Comisión de Justicia y Paz (Justicia y Paz), trabalhadores da Banacol estão a deslocar comunidades de paz afro-colombianas, de modo a permitir àquelas corporação ocupar secções de terra comunal, rica em recursos. Isto viola a soberania de comunidades centenárias e coloca-as em risco de completa deslocação do seu território colectivo num país com quase 5 milhões de pessoas deslocadas internamente. Eles também estão a arrasar com buldozzers as culturas de subsistência dos agricultores, a destruir habitats naturais e a contaminar cursos de água.

Folhetos distribuídos em bairros e comunidades pobres em todo a parte noroeste do país atraíam os sem-abrigo para o Curvaradó na região Urabá do Chocó colombiano. Os folhetos asseguravam três meses de despesas de manutenção pagas, títulos para lotes de 2,5 hectares, materiais, o pagamento da construção de instalações e um contrato com a Banacol Inc. para plantar bananas.

Os folhetos não diziam que o território Curavaradó já é habitado por comunidades de afro-descendentes, comprometidas com a manutenção dos seus territórios colectivos, que lhes é garantida pela Lei 70 da Colômbia (1993), a qual reconhece e protege o direito de os afro-colombianos a possuírem e ocuparem colectivamente o seu território ancestral.

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