sábado, fevereiro 05, 2011

O impossível acontece

Os responsáveis políticos gostam de invocar a “complexidade” do mundo para explicar que seria uma loucura querer transformá-lo. Mas há circunstâncias em que tudo se torna muito simples. Por exemplo, quando, após o 11 de Setembro, o ex-presidente George W. Bush instou toda a gente a escolher entre «nós e os terroristas». Em Tunes, a escolha foi mais entre um ditador amigo e «um regime do tipo talibã no Norte de África» [1]. Este género de alternativa agrada aos protagonistas: o ditador proclama-se como a única barreira contra os islamitas; os islamitas como os únicos inimigos do ditador.

Mas esta dança muda quando um movimento social ou democrático faz surgir actores que foram afastados por uma coreografia fixada para todo o sempre. O poder encurralado inspecciona o descontentamento popular em busca do mais pequeno sinal de “conduta subversiva”. Quando ele existe, aproveita-o; quando não, inventa-o.

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