sábado, março 26, 2011

Kadafi, neoliberalismo, o FMI e os governos supostamente defensores dos direitos humanos

Este artigo descreve a evolução dos factos na Líbia, descrevendo tanto os elementos diferenciais como os comuns entre o que ocorre na Líbia e o que aconteceu no Egipto e na Tunísia. Entre os elementos comuns está a aplicação das políticas neoliberais promovidas pelo Fundo Monetário Internacional (que contribuíram enormemente para o desagrado popular contra os governos que as aplicaram) e o apoio militar a tais regimes ditatoriais e repressivos por parte de países que se definem como defensores dos direitos humanos, incluindo os governos espanhóis.

Kadafi nem sempre foi o que é (e foi) já desde há anos: um ditador corrupto e extremamente repressivo. Na verdade, em 1969, o Coronel Kadafi, tinha então 27 anos, liderou um golpe à imagem e semelhança do seu ídolo, o Coronel Nasser no Egipto, destronando o monarca Idris (que estava sob tratamento médico na Turquia). Nos seus primeiros anos fez reformas substanciais, entre as quais se encontrava uma reforma agrária e a nacionalizaçao do petróleo (maior recurso do país), dedicando grande parte dos recursos obtidos da exploração do petróleo a melhorar substancialmente o bem-estar social das classes populares e, muito em particular, os serviços de assistência sanitária e educação. Estabeleceu também formas de participação dos trabalhadores nos locais de trabalho nas empresas (mais de duzentas) que foram nacionalizadas. Os seus primeiros anos caracterizaram-se também por um intervencionismo do estado na economia daquele país, que incluía a nacionalização do crédito através do Banco Central Estatal. Kadafi apresentou aquela experiência como a terceira via entre capitalismo e o socialismo, associado então à União Soviética.

Sem comentários: