quarta-feira, março 23, 2011

Líbia: Mantendo aparências

"Os EUA assinalaram que a comunidade internacional deveria "ir além" de uma zona de interdição de voo na Líbia, sugerindo pela primeira vez a intervenção". — "West should 'go beyond' no-fly zone, US says" — The Daily Telegraph, 20 March 2011

Então porque não há uma "zona de interdição de voo" sobre a Costa do Marfim, ou o Iémen ou o Bahrain ou na verdade sobre qualquer país onde o Estado esteja a matar os seus cidadãos? O que é que torna a Líbia diferente? Pode ser que a campanha de propaganda histérica quanto aos abusos de direitos humanos de Kadafi nos media ocidentais esteja relacionada com o que o responsável da NATO Anders Fogh Rasmussen disse aos seus ouvintes polacos:

"Quando olho para a Europa central e oriental fico extremamente optimista acerca do futuro que podemos alcançar na África do Norte" — 'NATO: Libya Military Intervention: Model For North Africa' , Reuters, 17 March 2011

Refere-se aos derrubes com êxito dos antigos membros do Bloco do Leste e, naturalmente, à destruição da Jugoslávia. Assim, a Líbia está para ser o primeiro dentro muitos países que, de acordo com Rasmussen, estão em vias de obter "assistência humanitária" estilo NATO.

Na realidade, tendo sido apanhada a dormitar na região, a invasão nominalmente apoiada pela ONU é uma tentativa do Império para recuperar o controle não só da resultante da rebelião da Líbia como também para estabelecer o cenário para muito mais — e não para a democracia ou direitos humanos mas sim para assegurar controle sobre os activos petrolíferos vitais (para o Ocidente) da Líbia, os maiores da África, e para assegurar o controle geral do Império sobre a região.

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