«Ensine-se aos fiéis que os veneráveis corpos dos santos Mártires e dos outros que vivem em Cristo devem ser venerados, por terem sido membros vivos de Cristo e templos do Espirito Santo (cfr. l Cor 3, 16; 6, 19; 2 Cor 6, 16), que serão por ele ressuscitados e glorificados para a vida eterna, pois Deus tem concedido muitos benefícios aos homens por sua intercessão.» (1)
Felizmente para a paróquia da Calheta, na Madeira, as relíquias dos santos são eficazes para a concessão de benefícios divinos mesmo em quantidades homeopáticas. Assim, estando agora oficialmente outorgada a santidade do senhor Karol Józef Wojtyła, Deus já pode enviar os seus poderes mágicos pelos três cabelos que o santificado Papa tão generosamente doou à Igreja do Atouguia (2).
Tendo em conta que estes três cabelos são as únicas relíquias do Papa João Paulo II em Portugal, eu sugeria que os repartissem pelo menos por três paróquias, triplicando assim o número de potenciais beneficiários dos poderes milagrogénicos da santa queratina. Pelo menos até que a Igreja em Portugal consiga obter mais umas aparas de unhas, pestanas ou outros vestígios do santo padre, que possam ser usados para a canalização da vontade divina. É que está matematicamente comprovado, pela existência de um elemento neutro na multiplicação, que os pedidos de intervenção divina dirigidos a restos orgânicos de católicos santificados são várias vezes mais eficientes do que orações equivalentes dirigidas directamente a Deus.
1- CONCÍLIO ECUMÊNICO DE TRENTO (985).
2- DN, Três cabelos brancos de João Paulo II na Madeira