quinta-feira, abril 24, 2008

É urgente fazer voltar o clima saudável às escolas

O sociólogo José Madureira Pinto, catedrático da Universidade do Porto,
diz que os professores estão a ser, injustamente, os bodes expiatórios das
incapacidades do actual sistema educativo e das nossas insuficiências sociais –

José Madureira Pinto é, desde 1994, Professor Catedrático do Grupo de Ciências Sociais da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, onde se licenciou em 1968. É membro do Instituto de Sociologia e tem colaborado regularmente com o Departamento de Sociologia da Faculdade de Letras da mesma universidade. Doutorou se em Sociologia pelo ISCTE em 1982. Foi Presidente da Associação Portuguesa de Sociologia entre 1990 e 1994.

Leccionou, ao nível de licenciatura, várias disciplinas das áreas da iniciação às ciências sociais, metodologia das ciências sociais, teorias sociológicas, sociologia rural e urbana e sociologia da estratificação e das classes sociais, e ao nível de pós-graduação disciplinas das áreas da metodologia das ciências sociais, da sociologia da cultura, da sociologia da educação e da sociologia económica. Presentemente, coordena, no âmbito do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, uma pesquisa financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia sobre “Transformações sociais numa colectividade rural do Noroeste português”, envolvendo uma revisitação a uma freguesia estudada há três décadas. Dirige a revista Cadernos de Ciências Sociais nas Edições Afrontamento – tendo co organizado, com Loic Wacquant e Virgílio Borges Pereira, o último número publicado: “Génese e legado da obra de Pierre Bourdieu. Espaço, cultura, dominação”, 2007, bem como, com António Joaquim Esteves, o próximo número, no prelo, sobre “Precariedade de emprego, modos de vida incertos, impasses de desenvolvimento”.

É autor de diversos livros, artigos e capítulos de livros sobre teoria e metodologia das ciências sociais, sociologia rural, sociologia da educação e das práticas culturais, sociologia do trabalho e das classes sociais, tendo publicado, em 2007, o livro Indagação científica, aprendizagens escolares, reflexividade social, nas Edições Afrontamento. Foi, entre 1996 e 2006, consultor do Presidente Jorge Sampaio para a área da “Economia, sociedade e desenvolvimento” (no âmbito da Assessoria para os Assuntos Económicos e Sociais da Casa Civil da Presidência da República).

– Começo por lhe colocar uma questão de natureza generalista: que apreciação faz do desempenho do sistema educativo português?

Ao fazermos uma análise global e diacrónica da evolução do sistema educativo português, não podemos deixar de manifestar algum optimismo por aquilo que, apesar de tudo, foi alcançado num período de três décadas. É bom não esquecer qual foi o ponto de partida após várias décadas de ditadura. A escola portuguesa foi capaz de vencer limitações antigas e, em determinados domínios, chegar a resultados francamente positivos, como a taxa de frequência do ensino superior, que hoje não se situa muito longe dos índices europeus. Neste capítulo, não se pode deixar de questionar a incapacidade do sistema económico em absorver o conjunto dos licenciados saídos do sistema, problema que, na minha opinião, finge-se não existir. Mas ele começa a colocar problemas sérios, porque estamos a falar já de largas dezenas de milhar de jovens licenciados que não têm emprego ou que apenas conseguem colocação em trabalhos onde se exige aptidões inferiores às suas qualificações escolares.

– Mas é perceptível um sentimento de insatisfação com o sistema educativo português. A que se deve, na sua opinião?

Esquece-se desde logo que não se pode exigir ao sistema educativo níveis de qualidade que muitos outros domínios da sociedade portuguesa não alcançaram. Considero até – e esta é a minha tese – que algumas das limitações que ainda subsistem no sistema educativo decorrem mais das debilidades e dificuldades da sociedade portuguesa em geral do que propriamente da incapacidade do sistema e dos seus principais actores, os professores, que não são, ao contrário do que se afirma, o elo mais frágil do sistema educativo.

Não se pode esquecer que hoje em dia, numa sala de aula concreta, seja na periferia de Lisboa, seja no centro do Porto ou em algumas regiões do interior, se encontram crianças e jovens provenientes de origens sociais onde o capital e investimento cultural das famílias é muito baixo, e onde, em muitos casos, a escola é socialmente desvalorizada.

– Não será estranho que após mais de trinta anos de esforços a procurar ganhar a batalha da educação e da qualificação esse sentimento de desvalorização da escola permaneça?

Não podemos esquecer que há um mau ponto de partida. Há três décadas tínhamos um índice muito elevado de analfabetismo, sobretudo de iliteracia. E na geração dos pais dos jovens que hoje frequentam hoje o sistema educativo, sensivelmente entre os quarenta e os cinquenta anos, subsiste uma elevada percentagem com níveis de instrução inferiores à actual escolaridade básica obrigatória.

– Esse sentimento de insatisfação parece perpassar igualmente pelos jovens. Qual é a percepção que eles têm hoje da escola?

Considero precisamente que muitos dos jovens de hoje herdaram uma certa imagem de desvalorização da escola que é dominante nas suas famílias. No extremo oposto, há um conjunto de jovens oriundos de famílias privilegiadas, sobretudo em termos de capital económico e cultural, que, por terem uma relação mais próxima com o mundo da informação e com as indústrias culturais, têm uma relação desencantada, para não dizer irónica, com o trabalho de ensino aprendizagem que se pratica na escola e na sala de aula. Esta questão passará também em grande medida, claro, pela crescente perda de estatuto social dos professores.

– Publicou recentemente um artigo no jornal Público onde principiava a sua argumentação fazendo referência a uma afirmação do filósofo José Gil: «porquê tanto ódio, tanto desprezo, tanto ressentimento contra a figura do professor?». Por que razão é o professor apresentado hoje como bode expiatório pelas debilidades da educação portuguesa?

Na prática escolar quotidiana é o professor quem continua a estar numa posição charneira, no sentido em que é ele que se encarrega de gerir em tempo real – e esta dimensão do tempo real é muito importante – uma série de problemas que se condensam na sala de aula.

Problemas que têm raízes muito diversas, nomeadamente a grande heterogeneidade de origens sociais dos alunos – onde há os que estão muito longe de dominar os instrumentos necessários para entrar em sintonia com aquilo que é dito na sala de aula, e os outros que, pelo contrário, têm por vezes uma aquisição por excesso de instrumentos que lhes dão a ilusão de poderem dispensar a figura do professor para aprenderem e progredirem.

O contacto com as novas formas da cultura massificada e do acesso fácil à informação cria igualmente uma ilusão de dejá vu, fazendo com que para alguns a aula constitua uma maçada e conduza a uma certa incompreensão relativamente ao esforço do professor no sentido de procurar sintonia com eles e com os outros, tarefa que hoje exigiria metodologias muito diversificadas. Ora, esse desencontro é permanente.

– Mas porquê a cristalização desse ressentimento nos professores, e nos sindicatos, como refere no seu artigo?

Penso que será o resultado da incapacidade, não sei se intencional, de procurar entender as origens dos problemas. E quando não se quer, ou não se pode, ir ao fundo dos problemas tenta-se encontrar um bode expiatório. E dado que o sistema educativo continua a girar em torno da sala de aula – que considero ser uma forte limitação do actual sistema educativo – e do professor enquanto dinamizador do processo no seu interior, é a este que é assacada a incapacidade para gerir melhor o conjunto de problemas que tem pela frente. Um erro crasso, na minha opinião.

INSTITUCIONALIZAR O TRABALHO EM REDE

– Que razões o levam a considerar a sala de aula como uma limitação do sistema educativo?

Porque a sala de aula, até pela sua configuração física, é um espaço que está em dessincronia com as actuais dinâmicas culturais. Para poder funcionar precisa de encontrar do lado dos receptores da mensagem disposições incorporadas que levem a uma aceitação tácita, no momento em que o professor fala, daquilo que ele está a dizer. Acontece que, por variadas razões, face às quais o professor não tem qualquer tipo de responsabilidade, essa possibilidade de estabelecer uma “transacção fácil”, digamos assim, ao nível comunicacional é hoje muito reduzida. Daí o tempo médio muito elevado que cada professor despende para tentar, no local, diariamente, em qualquer aula, estabelecer o tal patamar de sintonia. Que pode levar 15, 20, 25 minutos, se calhar às vezes mais…

– Será a “falta de autoridade”, tantas vezes referida? Os professores perderam de facto essa autoridade?

Em certo sentido, sim, na medida em que quando não estão adquiridos esses dispositivos, o significado objectivo, os alunos não conferem autoridade ao discurso que estão a receber. Poderá haver várias saídas para isso: não ouvir, não estar atento, ser um “dissidente” na sala aula. Noutros casos, evidentemente, acontece sintonia, mas há também a rejeição absoluta, até agressiva, violenta.

– Mas de que forma recuperar essa autoridade? Através do autoritarismo?

Não, de maneira nenhuma. Existem muitas formas, e uma delas talvez passe pela diminuição drástica do número de alunos na sala de aula. Ou dando a aula com mais de um professor, porque não? Poder se á argumentar que são medidas financeiramente dispendiosas, mas se queremos, de facto, apostar seriamente na educação, fazer dela o vector estratégico para o país sair da situação difícil em que se encontra, então é preciso investir.

– Que outras medidas poderão contribuir para esse objectivo?

O apoio psicológico, por exemplo, que actualmente é uma medida pontual, mas que deve assumir se como permanente e fazer parte do quotidiano das escolas, ao qual o professor deverá recorrer para melhor poder lidar com alguns problemas com que sistematicamente se confronta na sala de aula.

A generalização de práticas de apoio ao professor por parte de outros profissionais, como psicólogos e assistentes sociais, é uma medida indispensável. Até para não conduzir o professor para soluções que, por vezes, podem mesmo agravar os problemas. É que hoje em dia exige se aos professores formas de intervenção junto dos alunos e das famílias para as quais eles não estão preparados. Mesmo quando essas iniciativas, como o apoio psicológico espontâneo, são bem intencionadas.

A realidade é que, actualmente, os professores estão isolados na sala de aula – pior do que isso, isolados uns dos outros –, as escolas estão desapoiadas, divorciadas de redes de apoio social. Que até existem. Aliás, existem hoje na sociedade portuguesa mais redes sociais de apoio aos grupos desfavorecidos do que acontecia no passado. Estas redes deveriam ser postas em articulação institucional permanente, assumindo um acompanhamento orgânico que, de algum modo, sirva para filtrar uma grande parte dos problemas que hoje se projectam directamente na sala de aula.

– A melhor forma de caminhar para uma sociedade tendencialmente igualitária passará por um sistema educativo unificado, padronizado, com currículos e percursos educativos pré-estabelecidos, como acontece actualmente, ou antes por um percurso único mas diversificado?

Eu tenho sobre essa questão uma opinião que julgo ser pouco partilhada. Penso que o sistema unificado deve prolongar se temporalmente tanto quanto possível no percurso escolar, mas basear-se em formações de leque muito alargado. Esta foi uma limitação que, na minha perspectiva, marcou negativamente o sistema educativo português, impedindo-o, nomeadamente, de encontrar uma solução adequada para aquele que é um dos seus principais constrangimentos: o ensino técnico profissional. Isto porque, na minha opinião, ele se assume, no mau sentido, como um sistema demasiado licealizado, com muito pouca abertura para outras aprendizagens, essenciais para atrair alguns grupos que, por motivos de origem social e de algumas limitações culturais de base, aderem dificilmente aos saberes mais formais mas poderão mostrar abertura para uma aprendizagem de natureza mais experimental.

Com a oferta de um leque de formações alargadas mais informais, penso que seria possível garantir uma formação básica correspondente ao 9º ano bastante mais atraente, o que conferiria maior igualdade de oportunidades no momento de optar pelo prosseguimento de estudos. O que assistimos hoje é a elevados índices de insucesso escolar e de abandono precoce. Não é justa a existência de formações que dão mais facilidade a um conjunto de alunos só porque têm uma herança cultural que lhes é mais favorável.

ILUDIR O ESSENCIAL IGNORANDO OS PROBLEMAS DE FUNDO

– A escola – cada vez mais a tempo inteiro – parece ter-se transformado na única resposta às necessidades educativas dos jovens portugueses, com uma panóplia de formações que, de certo forma, a esvaziam da sua função primordial. Será que os agentes exteriores à escola não deveriam ter um papel mais activo na prossecução desse papel?

Sim, estou de acordo. Se a tal ligação das escolas aos sistemas de protecção social assumisse uma função institucional, integrando-se no seu quotidiano e incorporando-se nas rotinas profissionais de quem está na escola, muitos desses problemas eram resolvidos noutros âmbitos.

O sistema educativo, por exemplo, está claramente desarticulado com o sistema de saúde. E é possível, e necessário, fazer uma articulação regular e institucional entre os dois. E quem fala do sistema de saúde fala do sistema de reinserção social e de outros serviços que, no actual formato, não trazem nenhuma mais valia significativa ao quotidiano das escolas. Desta maneira, seria possível libertá-las de uma série de tarefas que ela continua a acumular como se este fosse o espaço onde se encontre solução para todos os problemas não resolvidos da sociedade portuguesa.

– Numa lógica de escola concentracionária…

Sim, e é nesse sentido que algumas medidas que podemos considerar como positivas, como a implementação do estudo acompanhado – que, aliás, era uma prática espontânea por parte de muitos professores – não possam ser concretizadas de uma forma equilibrada, porque se sobrecarrega os professores para além do razoável, impedindo os de, por exemplo, terem tempo para uma preparação cuidada das aulas ou para a implementação de soluções imaginativas que podem fazer a diferença no confronto diário na sala de aula.

De facto, não se pode pôr os professores a trabalhar muitas horas por dia, numa lógica aparentemente punitiva, descurando a componente de auto-formação e o tempo de discussão entre pares indispensável para garantir aulas de qualidade e, sobretudo, confiança para enfrentar as exigências do seu trabalho.

– Parece estar a avançar-se para uma lógica unívoca de gestão, contrariando os princípios democráticos de funcionamento das escolas conquistados ao longo das últimas três décadas. Concorda com esta ideia?

Concordo. Mesmo no seio das organizações empresariais já se vai avançando no sentido de democratizar, por assim dizer, o espaço de trabalho. De uma forma limitada, é certo, mas vai-se avançando. A literatura referente ao comportamento organizacional e à psicossociologia das organizações, aliás, refere a importância da participação, da motivação e da criação de elos entre os diferentes actores, porque só isso permite pensar a organização a prazo, investir nela e nas formações dos seus profissionais. Por isso me intriga e preocupa que este avanço no sentido de uma maior participação dos profissionais no seu espaço de trabalho esteja a ser posto em causa nas escolas. Não percebo em que análises sociológicas ou organizacionais se apoiam os responsáveis da educação para concluírem que acabar com o sistema de gestão democrático em vigor resolverá os problemas. Daquilo que conheço da vida das escolas e das aspirações, motivações e formas de participação dos professores não estou a ver como é que esta inflexão no sentido do reforço da autoridade do gestor não eleito democraticamente irá melhorar o funcionamento das escolas. Tudo me leva a crer que conduzirá precisamente ao contrário.

Mais uma vez parece-me que se está a querer iludir o essencial. Em vez de se atacar os problemas de fundo que se colocam à prática profissional diária dos professores, invoca-se o argumento da gestão. Tenho a sensação de que estamos perante mais um caso de reforma cujo objectivo não é ir ao fundo das questões e mudar o essencial, mas apenas mexer para disciplinar, regular.

– Depois da manifestação do dia 8 de Março, e perante esta situação de ruptura entre docentes e a tutela, qual pode ser a saída para o impasse?

Francamente, a saída afigurasse-me muito difícil. Eu contacto habitualmente com muitos professores, de diversos locais, diferentes níveis de ensino e de várias idades, e assisto a uma total falta de sintonia com o Ministério da Educação, a um desencanto enorme, e mesmo uma certa rebeldia, que, se não forem ultrapassados, evidentemente não poderão conduzir a nada de bom.

Quanto à questão de como resolver este problema em concreto, há quem tenha proposto a mediação do Conselho Nacional de Educação, por exemplo. Essa proposta foi avançada recentemente pelo Daniel Sampaio, considerando que a situação chegou a um tal ponto que para repor a confiança e alguma estabilidade será necessária a intervenção de uma estrutura formal intermédia como o CNE. Mas não sei até que ponto mesmo esta solução poderá constituir uma resposta para o impasse que se vive.

– Na sua opinião, o que levou a que se chegasse a este ponto?

Acho que se deveu sobretudo a uma muita errada estruturação e sequenciação das medidas de reforma educativa. Tudo tem evoluído de forma inversa àquela que deveria ter sido a solução. Considero que, antes de mais, devia se ter avançado com medidas que levassem a uma relação de confiança entre os professores e o ministério. O que o ministério fez desde o início, porém, foi contribuir para quebrar essa relação de confiança. Porque se partiu do princípio que os únicos responsáveis pelas dificuldades do sistema educativo são os professores, apenas por serem eles os agentes mais visíveis.
Ricardo Jorge Costa
A Página
http://www.infoalternativa.org/portugal/port196.htm

As rodas da vida


e que rodas...

Banca em 2007: Os lucros aumentaram mas o imposto pago baixou — Mais 29% de lucros e menos €156 milhões de impostos !

Apesar dos compromissos públicos assumidos quer pelo ministro das Finanças quer pelo 1º ministro, durante o debate do Orçamento do Estado, de que a banca passaria a pagar a mesma taxa de imposto que as restantes empresas, em 2007 isso não aconteceu novamente tendo-se mesmo reduzido a taxa efectiva de imposto paga pela banca para apenas 14%.

De acordo com dados divulgados pela própria Associação Portuguesa de Bancos, em 2006, a banca portuguesa obteve 2.800 milhões de lucros e pagou apenas 544 milhões de impostos e taxas, o que correspondeu a uma percentagem de 19%. Em 2007, apesar de ter obtido mais lucros, pois passaram, entre 2006 e 2007, de 2.800 milhões de euros para 2.847 milhões de euros, o imposto pago desceu -28,7% pois passou de 544 milhões de euros para apenas 388 milhões de euros, o que significou que, em 2007, a percentagem paga fosse apenas de 14%. Se a banca tivesse pago as taxas legais, ou seja, aquelas que têm de pagar nomeadamente as PME, o Estado teria recebido, em 2006 e 2007, mais 621 milhões de euros de IRC e derrama do que recebeu. Portanto, os elevadíssimos lucros da banca continuam a serem financiados à custa do Orçamento do Estado apesar das promessas do ministro das Finanças e do 1º ministro. Também aqui Sócrates diz uma coisa e faz outra, já o que está em jogo são os interesses dos grandes grupos económicos que este governo está cada vez mais refém e apoia à custa do OE.

Entre 2006 e 2007, o VAB, ou seja, a riqueza criada ou apropriada pela banca, aumentou 7,7%, pois passou de 7.066 milhões de euros para 7.612 milhões de euros, enquanto os custos com pessoal por trabalhador subiram apenas 0,5%. Como consequência, a percentagem que os custos com pessoal representam do VAB desceu, entre 2006 e 2007, de 39,3% para 37,8%. Mas os custos com pessoal não incluem apenas os vencimentos com os trabalhadores. Estes representam, em média, menos de 75% dos custos com pessoal. E nesta percentagem estão ainda incluídos os vencimentos dos administradores que, em Portugal, são dos mais elevados da União Europeia. Mas considerando mesmo 75%, conclui-se que, entre 2006 e 2007, a parcela da riqueza criada ou apropriada pela banca que reverteu para os seus trabalhadores desceu de 29,4% para apenas 28,4%, que é um valor que está muito abaixo da média nacional, o qual é superior a 40%. E Portugal é um dos países da U.E. onde a repartição do rendimento é mais desigual. É evidente o aumento da taxa de exploração dos trabalhadores bancários em 2007.

A banca portuguesa está a procurar, por um lado, transferir para os clientes os custos da crise e, por outro lado, manter os seus elevados lucros. Segundo, o INE, entre Janeiro e Dezembro de 2007, a taxa de juro à habitação, que é o tipo de crédito que tem maior peso na actividade dos bancos em Portugal, aumentou em 15,8%. Se considerarmos o período Janeiro de 2007 / Fevereiro de 2008, que são os últimos dados disponibilizados pelo INE, a subida é já de 19%. Só em dois meses de 2008 (Dez2007/Fev2008), o aumento da taxa de juro foi superior a 2,7%. Em outros tipos de crédito, nomeadamente às PME, as taxas de juro são ainda mais elevadas.

Enquanto este governo permite que a banca pague menos impostos, aumentou a carga fiscal que incide sobre os trabalhadores. E isso resultou de uma actualização dos escalões do IRS muito inferior ao aumento de preços verificado. Entre 2006 e 2008, os escalões do IRS foram actualizados por este governo apenas em 6,6%, enquanto que o aumento de preços deverá atingir 8,5%. Se utilizarmos a estrutura de despesas das famílias de 2005-2006 do INE, que é mais correcta do que aquela que continua a ser utilizada no Índice de Preços no Consumidor (IPC) oficial, conclui-se que a taxa de inflação deverá aumentar 9,5%, entre 2006 e 2008, que é 43,9% superior à actualização dos escalões do IRS. Esta actualização manifestamente insuficiente dos escalões do IRS pelo governo determina, para muitos milhares de trabalhadores e pensionistas (mais de 80% da matéria colectável de IRS são salários e remunerações), a passagem para o escalão superior, o que não aconteceria se actualização dos escalões tivesse sido maior, tendo como consequência o pagamento de taxas de IRS mais elevadas, ou seja, um aumento significativo da carga fiscal para muitos milhares de trabalhadores. E isto já para não falar da situação das mais de 590.000 micro-empresas que, mesmo não tendo lucros, são obrigadas a pagar o chamado Pagamento Especial em Conta (PEC) de 1.200 euros , e mesmo que tenham se tiverem um lucro que seja, por ex., metade do previsto pela Administração Fiscal a taxa de IRC atinge 50% e que têm de pagar o PEC mesmo quando suspendem a sua actividade.
Eugénio Rosa
http://resistir.info/e_rosa/lucros_banca_2007.html

malabarismos


http://www.rebelion.org/

BARRIL CHEGA AOS US$118, MAS GOVERNO FINANCIA FÓRMULA 1

Dia 22 a cotação WTI do barril do petróleo atingiu os 118 dólares. Por sua vez, a cotação do Brent no mesmo dia atingiu um máximo de US$116,67.

Pois é nestas alturas que o governo Sócrates resolve gastar 2 milhões de euros do dinheiro dos contribuintes para subsidiar, a fundo perdido, um corredor de Fórmula 1. É o que se chama um subsídio errado, num momento errado e a transmitir a mensagem errada de gastar ainda mais petróleo, No entanto, o secretário de Estado que o concedeu classifica tal desperdício de dinheiros públicos como "acto normal" .

A centralidade do Pico Petrolífero não é uma questão de somenos importância. O novo Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética , agora anunciado pelo governo Sócrates, não corresponde de forma alguma à magnitude dos problemas que terão de ser enfrentados nos anos pós-Pico.

Não é com as medidas triviais preconizadas nesse plano, como substituição de lâmpadas de filamento por lâmpadas económicas e quejandas, que se resolverão os graves problemas energéticos portugueses – em particular no sector dos transportes.
Seria aconselhável que os responsáveis pela energia neste governo estudassem o Paradoxo de Jevons a fim de entender porque aumentos de eficiência energética conduzem a aumentos do consumo total de energia.
http://resistir.info/

Bergman/Antonioni


http://infoalternativa.wordpress.com/

O colapso financeiro dos EUA acabará com a Guerra do Iraque – E não serão os EUA a escolher o momento

"Venha e veja nossas morgues transbordantes e descubra nossos pequeninos...
Poderá encontrá-los neste ou naquele canto, uma pequena mão espetada, a apontar para si...
Venha e procure por eles no entulho dos raids aéreos "cirúrgicos", poderá encontrar uma pequena perna ou uma pequena cabeça... a pedir sua atenção.
Venha e veja-os amontoados em montes de lixo, a catar restos de comida...
Venha e veja, venha..."
"Flying Kites", Layla Anwar

Os militares americanos venceram todas as batalhas que combateram, mas perderam a guerra.

As guerra são vencidas politicamente, não militarmente. Bush não entende isto. Ele ainda mantém a crença de que uma colonização política pode ser imposta pela força. Mas está errado. A utilização de força esmagadora só espalha a violência e aumenta a instabilidade política. Agora o Iraque é ingovernável. Era este o objectivo? Quilómetros de muralhas de betão a prova de dinamite agora serpenteiam Bagdad para separar as partes combatentes; o país está fragmentado em uma centena de pedaços mais pequenos, cada um deles dominado por comandantes da milícia local. Trata-se de sinais de fracasso, não de êxito. Eis porque o povo americano já não pode apoiar a ocupação. Ele está a ser prático, sabe que o plano de Bush não funcionará. Como disse Nir Rosen, "o Iraque tornou-se a Somália".

A administração ainda apoia o presidente iraquiano Nouri al Malik, mas al-Maliki é uma figura de proa sem significado que não terá qualquer efeito sobre o futuro do país. Ele não tem base popular de apoio e nada controla para além das muralhas da Zona Verde. O governo al-Maliki é meramente uma fachada árabe concebida para convencer o povo americano de que está a ser feito algum progresso político, mas não há progresso. É uma simulação. O futuro está nas mãos dos homens com armas; foram eles que dividiram o Iraque em feudos controlados localmente e são eles que acabarão por decidir quem dirige o Estado. No momento, o combate entre facções está a ser descrito como "guerra sectária", mas a expressão é intencionalmente enganadora. O combate é de natureza política; as várias milícias estão a competir umas com as outras para ver quem preencherá o vácuo deixado pela remoção de Saddam. É uma luta pelo poder. Os media gostam de retratar o conflito como um choque entre árabes semi-loucos – "nostálgicos desesperados (dead-enders) e terroristas" – que gostam da ideia de matar seus compatriotas, mas isso é apenas um meio de demonizar o inimigo. Na verdade, a violência é inteiramente racional; é a reacção inevitável à dissolução do Estado e à ocupação por tropas estrangeiras. Muitos peritos militares previram que haveria erupções de combates após a invasão inicial, mas as suas advertências foram ignoradas por políticos despistados e os media coniventes. Agora a violência deflagrou outra vez em Bassorá e Bagda, e não há fim à vista. Só uma coisa parece certa, é que o futuro do Iraque não será decidido na urna eleitoral. Bush garantiu isto.

Os militares estado-unidenses não dominam o Iraque nem têm o poder para controlar acontecimentos no terreno. Eles são apenas uma das muitas milícias que competem pelo poder num Estado que é dirigido pelos senhores da guerra. Depois de o exército efectuar operações de combate ele é forçado a retirar-se para os seus campos e as suas bases. Este ponde precisa ser enfatizado a fim de entender que não há futuro real para a ocupação. Os EUA simplesmente não têm a mão-de-obra para manter o território ou estabelecer segurança. De facto, a presença de tropas americanas incita à violência porque elas são encaradas como forças de ocupação, não como libertadores. Inquéritos mostram que a vasta maioria do povo iraquiano quer as tropas americanas saiam. Os militares destruíram demasiado do país e sacrificaram demasiadas pessoas para esperar que estas atitudes venham a alterar-se em qualquer momento próximo. A poetisa e bloguista iraquiana Layla Anwar resumiu os sentimentos de muitas das vítimas de guerra num post recente no seu sítio web An Arab Woman Blues - Reflections in a sealed bottle... .
"Às portas da Babilónia a grande, você ainda está a lutar, a combater, perseguir este ou aquele, deter, bombardear do alto, preencher morgues, hospitais, cemitérios e embaixadas e fronteiras com filas para vistos de saída.
"Nenhum iraquiano deseja sua presença. Nenhum iraquiano aceita sua ocupação.
"Levem a notícia aos FDPs, vocês nunca controlarão o Iraque, nem em seis anos, nem em dez anos, nem em 20 anos... Vocês trouxeram sobre si próprios o ódio e a maldição de todos os iraquianos, dos árabes e do resto do mundo... agora enfrentem a vossa agonia". (Layla Anwar; "An Arab Woman's Blues: Reflections in a sealed bottle")
Será que Bush espera mudar a mente de Layla ou dos milhões de outros iraquianos que perderam seus seres queridos ou foram forçados ao exílio ou viram o seu país e a sua cultura esmagados debaixo da bota da ocupação estrangeira? A campanha pelos corações e mentes está perdida. Os EUA nunca serão bem vindos no Iraque.

De acordo com um inquérito publicado na revista médica britânica Lancet, mais de um milhão de iraquianos foram mortos na guerra. Outros quatro milhões foram deslocados internamente ou abandonaram o país. Mas os números nada nos dizem acerca da magnitude do desastre que Bush provocou ao atacar o Iraque. A invasão é a maior catástrofe humana no Médio Oriente desde a Nabka em 1948. Os padrões de vida declinaram abruptamente em toda a área – mortalidade infantil, água limpa, alimentação, segurança, fornecimentos médicos, educação, energia eléctrica, emprego, etc. Mesmo a produção de petróleo ainda está abaixo dos níveis anteriores à guerra. A invasão é o mais abrangente fracasso político desde o Vietnam, tudo deu errado. O coração do mundo árabe caiu no caos. O sofrimento é incalculável.

O problema principal é a ocupação; é o catalizador primário para a violência e um obstáculo para a arrumação política. Enquanto a ocupação persistir perdurará o combate. As afirmações que o chamado aumento repentino [de tropas] mudaram a paisagem política são altamente exageradas. O tenente-general reformado William Odom comentou acerca deste ponto numa entrevista no Jim Lehrer News Hour:

"O aumento repentino (surge) manteve a instabilidade militar e nada alcançou em termos de consolidação política. As coisas estão muito pior agora. E não as vejo a ficarem melhores. Isto era previsível um ano e meio atrás. E continuar a apresentar o verniz cozinhado das meias verdades confortáveis é enganar o público americano e faze-los pensar que não é a charada que realmente é... Quando se diz que está a ter lugar a libanização do Iraque, sim, mas não por causa do Irão e sim porque os EUA entraram e tornaram esta espécie de fragmentação possível. E ela verificou-se ao longo dos últimos cinco anos... O governo al-Maliki está agora em pior estado... A noção de que há alguma espécie de progresso é absurda. O governo al-Maliki utilizar o seu Ministério do Interior como uma milícia de esquadrão da morte. Assim, chamar Sadr de extremista e Maliki de bom rapaz é simplesmente não perceber a realidade de que não há bons rapazes". (Jim Lehrer News Hour)

A guerra do Iraque estava perdida antes de o primeiro tiro ser disparado. O conflito nunca teve o apoio do povo americano e o Iraque nunca representou uma ameaça para a segurança nacional dos EUA. Todos os pretextos para a guerra eram baseados em mentiras; foi um golpe orquestrado pelas elites e os media para executar uma agenda da extrema-direita. Agora a missão fracassou, mas ninguém quer admitir seus erros através da retirada; assim a carnificina continua sem interrupção.

Como acabará

A administração Bush decidiu adoptar uma estratégia que não tem precedentes na história americana. Decidiu perseverar numa guerra que já foi perdida moralmente, estrategicamente e militarmente. Mas combater uma guerra perdida tem os seus custos. A América está muito mais fraca agora do que quando Bush tomou posse para o seu primeiro mandato em 2000, política, económica e militarmente. O poder e o prestígio americanos continuarão a deteriorar-se por todo o mundo até que as tropas sejam retiradas do Iraque. Mas é improvável que isto aconteça até que todas as outras opções tenham sido esgotadas. As condições económicas em deterioração nos mercados financeiros estão a colocar enorme pressão baixista sobre o dólar. Os mercados de acções e títulos corporativos estão em desordem; o sistema bancário está a entrar em colapso, os gastos do consumidor estão baixos, as receitas fiscais estão em queda, e o país a caminho de uma penosa e prolongada recessão. Os EUA deixarão o Iraque mais cedo do que muitos acreditam, mas não o farão num momento escolhido por si. Ao invés disso, o conflito finalizará quando os Estados Unidos não tiverem mais capacidade para travar a guerra. Esse momento não está muito longe.

A Guerra do Iraque assinala o fim do intervencionismo estado-unidense durante pelo menos uma geração; talvez mais ainda. O fundamento ideológico para a guerra (apropriação/mudança de regime) revelou-se como uma justificação sem base para agressão não provocada. Alguém terá de ser responsabilizado. Terá de haver tribunais internacionais para determinar quem é responsável pelas mortes de mais de um milhão de iraquianos.
Mike Whitney

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

quarta-feira, abril 23, 2008

Cavalo ***** na cara do repórter



P.S. Este cavalo devia ter estado na assinatura do acordo entre o M.E. e os nossos "amigos" da plataforma sindical...

os meninos dos blogues

“os meninos dos blogues só sabem escrever, mas não sabem lutar”

Os sindicatos bem tentam passar a ideia de que a luta continua, mas o sentimento da maioria dos professores é outro: desistência, desilusão e desacordo. Os sindicatos criticam o que muitos professores vão desabafando pela blogosfera. Ainda agora, enquanto escrevo estas palavras, oiço na sala de professores um sindicalista dizer a seguinte piada: "os meninos dos blogues só sabem escrever, mas não sabem lutar".

http://sinistraministra.blogspot.com/2008/04/pois-pessoas.html

P.S. E as meninas dos blogues essas sabem lutar?

Ler, ler e nunca parar de ler... a propósito do dia mundial do livro

Pode-se avaliar a beleza de um livro
pelo vigor dos safanões que ele nos deu
e pelo tempo que levamos depois a recompor-nos.
Flaubert

1. Quem lê, vê mais
2. Quem lê, sente mais.
3. Quem lê, vive mais.
4. Quem lê, ama mais
5. Quem lê, sonha mais.
6. Quem lê, decide melhor.
7. Quem lê, governa melhor.
8. Quem lê, escreve melhor.
9. Quem lê, argumenta melhor.
10. Quem lê, pensa melhor


A verdadeira Universidade, nos nossos dias, é uma boa colecção de livros
Thomas Carlyle


Há o hábito de pensar que se entra numa biblioteca para procurar um livro. Não é verdade. Sim, por aí se começa, mas o que na realidade se busca é a aventura.
Umberto Eco

A leitura não é a mesma coisa aos vinte anos que aos sessenta. O jovem lê tudo. (…) Com a idade as leituras vão-se reduzindo. Dizia um filósofo que o importante é saber não o que se há-de ler, mas sim o que «não» há que ser lido.
Azorin
http://pimentanegra.blogspot.com/

Vai ser assim...

I'll be back

O choque fiscal que Durão Barroso prometeu em campanha eleitoral foi então uma Manuela Ferreira Leite nas Finanças. Nesse tempo, o IVA aumentou de 17 para 19%. E a despesa, essa, ficou como estava ou pior. Nunca faltaram milhões de euros para o público desbaratamento, que ora eram sacados ao contribuinte ora resultavam de receitas extraordinárias.
E a sacar, vamos ser honestos, não há como Ferreira Leite. Foi ao BCP buscar um Moita de Macedo, que pago a peso de ouro colectou o que já ninguém julgava ser colectável. Mas colectou e isso é notável, mesmo que tenha sido para pagar o imperial socialismo.
Agora, a mesmíssima Ferreira Leite – talvez aperfeiçoada na arte de sacar – quer ser líder do PSD e chefe de Governo.
http://lobi.blogs.sapo.pt/

Quem se mete com a Fenprof leva

No "Público" de hoje, na secção "Cartas de Leitores", o secretário-geral da Fenprof reage violentamente a um escrito de opinião, publicado pelo mesmo jornal, de Rui Baptista, colaborador habitual deste blogue, em que ele falava de "má consciência sindical" a propósito do recente acordo Fenprof - Ministério da Educação. Trancrevem-se aqui o "Esclarecimento" do dirigente sindical assim como a opinião ("Máscaras") que lhe deu origem.

Esclarecimento
22.04.2008

O senhor Rui Batista mentiu no PÚBLICO, em artigo publicado no dia 17 de Abril, ao afirmar que os sindicatos se renderam e se ajoelharam aos pés da ministra da Educação para deporem as armas no chão, explicando que tal se devia ao facto de ter sido criado "um novo escalão remuneratório para os professores titulares, que passaria a ser usufruído por "uns tantos detentores dos órgãos de soberania e das cúpulas sindicais".

Na verdade, este índice remuneratório foi criado para garantir a paridade entre a carreira docente e a dos técnicos superiores da Administração Pública, conquistada em 1986 e perdida agora com a criação de um novo índice de topo para aqueles técnicos superiores. Ignorância à parte, e tudo indiciando não ser esse o problema do senhor Rui Batista (não tem qualquer fundamento a sua afirmação de que este novo índice se destina a ser aplicado a membros de órgãos de soberania e a dirigentes sindicais, estes sim, penalizados pelo ME na sua carreira profissional), outra deverá ser a conclusão a retirar daquelas palavras. Ou seja, a afirmação de Rui Batista parece ter a intenção de denegrir publicamente a imagem dos dirigentes sindicais, mentindo e difamando-os, razões por que a Fenprof decidiu accionar os adequados procedimentos judiciais a fim de defender o bom-nome dos docentes que exercem funções de direcção sindical e garantir o respeito pela sua integridade moral e ética.

Mário Nogueira
Secretário-geral da Fenprof

A máscara
17.04.2008

As notícias sobre a negociação entre o Ministério da Educação (não será mais correcto dizer ministra da Educação?) e a fortemente politizada Plataforma dos Professores (não será, igualmente, mais correcto dizer Mário Nogueira?) têm chovido em catadupa, encharcando até aos ossos uma desavença aparentemente sem fim à vista, ou simples tréguas, tentando agora convencer os mais ingénuos que o que estava em jogo era, acima de tudo, o interesse dos professores que se deparam no seu dia-a-dia com os inúmeros problemas com que a escola de hoje se defronta numa espécie de casa onde todos ralham: uns com mais ou menos razão, outros sem razão nenhuma.

Neste desolador panorama, em que a escola deixou de ser risonha e franca - como se dizia anos atrás -, tem-se apresentado a plataforma sindical prisioneira de uma postura démodé em que, como diria Eça, "é útil balar como os carneiros", como o faziam em massa os operários dos primeiros sindicatos da era industrial.

Realmente, o que se encontra verdadeiramente em jogo neste braço-de-ferro entre a tutela e os sindicatos? Para estes, a discordância com o novo sistema de avaliação dos professores (embora os sindicatos jurem a pés juntos que não), com defesa no argumento dessa avaliação ter tido início tardio (aqui, em argumento prenhe de razão), e a criação de uma carreira docente que contempla a criação de duas categorias de professores: professor e professor titular.

Hoc opus hic labor est (em tradução livre, "aqui é que a porca torce o rabo"). A Plataforma dos Professores que defendeu, à outrance, a derrogação desta duplicidade docente rendeu-se e ajoelhou-se aos pés da ministra da Educação para depor as armas no chão. Em mera medida de oportunismo ministerial, a pomba da paz desceu dos céus trazendo no bico um rebuçado para adoçar a boca amarga dos sindicalistas mais renitentes, através da criação de um novo índice remuneratório para os professores titulares. É bom que se diga: passarão a beneficiar desta medida uns tantos detentores dos órgãos de soberania e das cúpulas sindicais, ainda que mesmo com formação académica de base a nível do antigo ensino médio, com longos anos de sacrificado serviço à política e ao sindicalismo, em contrapartida com uma vida tida como bem-aventuranda na docência, ainda que, muitas vezes, com alunos de bairros degradados ou rebeldes filhos de família! Naquilo que eu julgo ser um problema de má consciência sindical, critico o desinteresse dos sindicatos pelo facto de os professores licenciados por universidades não titulares terem os seus escalões congelados e o acesso a professor titular verdadeiramente dificultado, quando outros com preparação bem menor por um bambúrrio já ocupam essa titularidade.

Numa época em que, segundo Alexander Soljenitzyn, "o relógio do comunismo já soou todas as badaladas", os verdadeiros interesses da sociedade, das escolas, dos professores e dos alunos estarão resguardados e bem servidos com um sindicalismo retrógrado e ultrapassado? A plataforma dos sindicatos é possível que entenda que sim. Terá as suas razões. Mas deverá desafivelar a máscara de um sindicalismo moderno e democrático!
Rui Baptista
Coimbra

P.S. O tempo dirá quem teve razão…

Fim tortura aulas - Ensino Show


Para acabar com as imagens chocantes de alunos a serem torturados nas salas de aulas, está a surgir uma nova geração de professores artistas com métodos de ensino do século XXI em que as aulas passam a ser shows e os alunos turmas de fãs.
( http://cavalheirosdoapocalipse.blogs.sapo.pt)

O "apoio esmagador" de 5% dos profesores ao cozinhado entre a Plataforma Sindical - PS - e a Ministra


Passados estes dias já se percebeu que o acordo entre a Plataforma sindical e a ministra apenas serviu para ela não ser posta na rua.
De resto, os professores nada ganharam com isto.
Vão ser avaliados exactamente nos mesmos moldes que a ministra prupunha e apenas ganharam um adiamento de uns meses.
Mas até este adiamento foi benéfico para o ME.
A avaliação nestes novos moldes não podia ser posta em prática já este ano porque já tinham passados dois terços do mesmo ano lectivo. Até isso - o não se ter podido desmascarar essa impossibilidade - jogou a favor do ministério.
Eu vou aguardar ainda mais uns dias, mas os meus piores receios estão, infelizmente, a confirmar-se e a reproduzir-se por esse país fora.

Mário Nogueira - ele que é sempre tão solícito a desmascarar as mentiras do ME - pela primeira vez não veio até agora desmentir uma única palavra do que a ministra afirmou, preto no branco, nos telejornais da SIC (meio dia) e da RTP (à noite).
E ela foi peremptória: tudo continuará como o previsto.
Se os meus receios se confirmarem, estaremos perante a maior traição perpetrada contra os ingénuos professores deste país.
Mas também, se esta traição se verificar, os sindicalistas bem podem ir pedir o ordenado à ministra, porque para além dos profissionais dos sindicatos poucos mais se manterão sindicalizados. Penso eu de que.
Mas vamos aguardar pelas manifestações de hoje.
Eu prevejo que, relativamente às últimas, nem metade dos professores comparecerão.
Mas pode ser que me engane...
http://joaotilly.weblog.com.pt/

O processo de avaliação simplificado

Os prós e os contras deste ensino

Contras:

1. Não me dou bem com o facilitismo – complica-me com o sistema nervoso, com os meus valores cimentados, ao longo de muitos anos, para além de o mesmo (facilitismo) ser de uma inutilidade tremenda! O país precisa de gente com sólida formação para vencer os desafios desta sociedade cada vez mais competitiva, de forma a melhorar o nível de vida da população em geral.

2. Não gosto destas aulas de substituição – não servem para nada, os alunos não as querem, não colaboram, até porque não são avaliados pelas mesmas!

3. Não quero ser burocrata – este ensino está carregado de tarefas marginais ao verdadeiro acto de ensinar, que deveria ser o fundamental da escola, mas já não é.

4. Não quero ser mais humilhado – este governo encarregou-se de tirar aos professores a pouca dignidade que ainda lhes restava, após a degradação a que temos vindo a assistir nos últimos anos: os alunos cada vez sabem menos, cada vez trabalham menos, a indisciplina tem grassado um pouco por todas as escolas (com a colaboração passiva do Ministério da Educação, fingindo que não existe), etc.

5. Já desci demasiado a minha ‘bitola’ – cada ano que passa, somos obrigados a colocar a fasquia cada vez mais baixa, como forma de sobrevivermos no sistema; não posso, não quero descer mais baixo.

6. Não vejo luz ao fundo do túnel – A Sra Ministra da Educação está convencida que está a melhorar o ensino e eu acredito que está a piorá-lo, porque não vê ou não quer ver o essencial. A escola é um lugar onde todos devem respeitar-se uns aos outros e ouvirem-se uns aos outros. Os alunos não respeitam os professores, perdeu-se o respeito pela autoridade!

7. Este ensino está a dar cabo da minha saúde – Ser professor, neste ensino, é cada vez mais uma actividade de alto risco. Dia após dia, ano após ano, as mazelas vão aumentando, multiplicando-se, o que não augura nada de bom. Vou sair enquanto consigo ligar dois pensamentos seguidos e com vontade de os desfrutar.

8. Sinto cada vez mais que a tutela é um factor de desestabilização do ensino, em vez de ser de união para a convergência de esforços no sentido de melhorar a qualidade do ensino. Deste Ministério da Educação, já não espero nada de bom para o ensino. Tudo poderia ser muito mais simples se tivesse havido verdadeiro diálogo desde o princípio, ouvindo quem está no terreno e atacando de imediato o problema da indisciplina. Não foi assim, perdeu-se uma excelente oportunidade!

9. Não quero ensinar para as estatísticas, quero ensinar sem constrangimentos deste tipo, dependentemente de objectivos traçados no princípio do ano, de acordo com os programas oficiais aprovados, função dos perfis de saída definidos, de forma a conseguirmos ter alunos com uma sólida formação técnica, científica e humana.

10. Não quero ser joguete de legislação, que tudo nos obriga, tudo nos impõe, sem julgamento criterioso, contra os mais elementares princípios da pedagogia, como senão tivéssemos quaisquer direitos.

11. Não quero esta avaliação – Não tenho medo da avaliação, todos devem ser avaliados, mas não quero ser avaliado condicionado pelo sucesso ou insucesso dos alunos, pelo abandono ou não abandono escolar dos mesmos, como se eu fosse culpado pelo facto de os alunos não estudarem, não quererem vir à escola, terem problemas familiares, terem dificuldades económicas, etc., etc..


Prós:

1. Continuo a gostar de ensinar, apesar de tudo. No entanto, não consigo que os alunos atinjam os objectivos traçados no início de cada ano. A realidade é sempre pior do que aquilo que prevemos ou imaginamos. O professor deve formar e informar; no entanto, neste momento, já não sei se o fazemos ou o que fazemos!

Portela, 12 de Abril de 2008

José Vagos Carreira Matias
http://www.professoresramiromarques.blogspot.com/

uma chaminé gigante


http://infoalternativa.wordpress.com/

MAIS UMA CARTA PARA REFLEXÃO

Prosseguindo a nossa linha de perspectiva plural, mas determinada, de levar a todos as mais diversas posições no que respeita à luta dos professores, a fim de que se faça uma reflexão aprofundada relativamente ao sentir da classe e daquilo que a move para a luta, deixamos aqui uma carta do Joaquim Ribeiro, que manifesta a sua determinação em lutar até ao fim.


Uma carta ao Sr. Mário Nogueira.

Há muitos Judas em Portugal!

O Sr. Mário Nogueira canta vitória de quê??!!!

Sr. Mário Nogueira, no acordo que fez com a Sr. Maria Lurdes Rodrigues vendeu os professores que, pouco a pouco, com os seus fiéis secretários vai enlatando e amordaçando os professores.

Sr. Mário Nogueira, o Sr. não conseguiu nada...

As grandes questões de fundo que criaram a revolta e indignação dos professores mantém-se, tais como:
a) a avaliação mantém-se e tal como está só serve para dar mais trabalho aos professores de sala de aula, que como já tinham pouco trabalho passam a ter mais esta tarefa e, menos tempo para dedicarem aos seus alunos.

b) substituição de aulas sem serem remuneradas.

c) divisão da carreira em duas categorias, que só serve para dividir os professores nas Escolas, criar mau ambiente, vinganças mesquinhas, perseguições...

d) impedir que só dois terços dos professores cheguem ao topo da carreira.

e) Permitir que dois terços dos professores, a partir do meio da carreira, sejam privados de um terço do seu vencimento.

f) um pedido de desculpa da Sra. Maria de Lurdes Rodrigues pelos insultos que tem feito aos professores.
O Sr. Mário Nogueira já reparou que a Senhora Ministra conseguiu tudo o que pretendia:
i) queria implementar uma avaliação anedótica para os professores e conseguiu!

ii) queria dividir a carreira em duas e conseguiu!

iii) queria reduzir o vencimento dois terços dos professores e conseguiu!

iiii) queria um novo modelo de gestão para domesticar os professores e também conseguiu!
Quais são as suas vitórias?

O Sr. Mário Nogueira não pense que foi o Sr. que levou 100.000 professores a Lisboa, o Sr. é que aproveitou a boleia e colou-se à frente da manifestação, foi um oportunista!

Não foi o Sr. que levou os professores para a rua, foram eles que saíram espontaneamente.

Na próxima Quarta Feira vai assinar o fim da sua carreira como Dirigente Sindical e a morte dos sindicatos dos professores, mas os professores não necessitam de traidores.

O Sr. Mário Nogueira esquece-se que os professores são os detentores do Saber aqui e em todas as parte do Globo, que sabem pensar, que sabem o que é justo e injusto, que não precisam de quem os dirija...

Houve um famoso dirigente sindical que terminou a sua carreira como deputado em Bruxelas, o Sr. Torres Couto, todos conhecemos a famosa história do Sr. Ferreira do Amaral, todos nos conhecemos história do Sr. Jorge Coelho, não me repugna acreditar que o Sr. Mário Nogueira tenha vendido os 100.000 professores que o seguiam na manifestação, por um lugar na 24 de Julho, ou por um lugar ao lado do Sr. Sócrates em Bruxelas. Mas desiluda-se, porque os professores não iam atrás de si, mas atrás de um ideal, de uma Escola Pública de qualidade para Portugal e para os portugueses desfavorecidos, o senhor foi um oportunista que aproveitou a manifestação para promover a sua imagem.

As vedetas negoceiam a sua imagem com as grandes marcas, para vender produtos. Se o Senhor Mário Nogueira procurar, talvez encontre uma marca de pasta de dentes interessada em associar o seu nome a um dos seus produtos.

Sr. Mário Nogueira, os professores vão continuar a sua luta sem os sindicatos porque têm a razão do seu lado e acreditam nos grandes valores e não em jogadas de bastidores.

Os professores foram insultados, humilhados, espezinhados, vexados pelo Sr. Sócrates, pela Sra. Maria de Lurdes Rodrigues, pelo Sr. Emídio Rangel, pelo Sr. Miguel Sousa Tavares, ... o insulto que faltava aos professore vem do senhor Sr. Mário Nogueira quando na próxima quarta-feira assinar o acordo, mas esse é o seu acordo e não o dos professores.

A Sra. Maria de Lurdes Rodrigues 'perdeu os professores, mas ganhou os pais'. O Sr. Mário Nogueira ganhou a Ministra, mas perdeu os professores!!

Colegas, a nossa luta continua, não deixem de comparecer às manifestações das 2ª Feiras; se o Sr. Sócrates acredita que calou os professores, que se desiluda.

Divulguem esta mensagem!!!!!!!

Joaquim Ribeiro
http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/

Educação: Novo diploma sobre avaliação de desempenho poderá ir a Conselho de Ministros quinta-feira - Sec. Estado

Lisboa, 21 Abr (Lusa) - Ministério da Educação e sindicatos de professores manifestaram hoje a expectativa de um rápido acordo em torno do novo decreto-lei sobre avaliação de desempenho, pelo que o diploma poderá ser aprovado já esta quinta-feira em Conselho de Ministros.
No final de uma reunião entre a tutela e os sindicatos, o secretário de Estado adjunto e da Educação sublinhou a "facilidade" com que as duas partes chegaram a um "acordo de princípio" em relação ao texto do decreto-lei que vai consagrar o entendimento assinado quinta-feira passada no que toca à avaliação de desempenho docente.
"É uma possibilidade [ir já esta quinta-feira a Conselho de Ministros]. A nossa urgência é que se faça o procedimento de avaliação e que as escolas estejam na posse do normativo que lhes dê as orientações necessárias para concretizarem a avaliação", afirmou Jorge Pedreira.
Por seu turno, o porta-voz da plataforma que integra os sindicatos do sector revelou que depois da reunião de hoje falta apenas praticamente "trabalho de jurista", pelo que acredita numa rápida aprovação e consequente promulgação, para que as escolas possam começar a aplicar o regime simplificado.
"Não se pode aplicar algo que não está ainda publicado, principalmente porque existem outros diplomas publicados. Se não, podíamos ter professores a impugnar a sua avaliação por falta de enquadramento legal", sublinhou Mário Nogueira.
No final da reunião de hoje, o secretário de Estado adjunto e da Educação garantiu que o decreto-regulamentar até agora em vigor sobre avaliação de desempenho não será revogado, explicando que o novo diploma vai "aditar normas transitórias ao anterior", na sequência do memorando de entendimento.
"Há um conjunto de novos procedimentos que alteram em alguns casos de forma significativa o que está no actual decreto-regulamentar e que necessitam de um enquadramento legal. Estamos a pegar no entendimento e a transformá-lo em letra de lei", explicou o porta-voz dos sindicatos.
Segundo Mário Nogueira, o novo decreto-regualmentar vai criar legalmente a comissão paritária prevista no entendimento, sendo depois emitido um despacho, até ao final do mês, com a sua constituição. Este órgão, que irá acompanhar a aplicação do modelo, bem como preparar eventuais alterações, será formado pela administração educativa e um representante de cada uma das estruturas sindicais.
"Estamos a tentar que tudo fique numa grande clareza porque há aqui matérias que podem ir além da própria vigência da actual equipa ministerial. Não queremos que haja margem para diferentes interpretações e para aplicações desiguais entre as escolas", afirmou o dirigente sindical.
O acordo assinado quinta-feira passada entre Governo e sindicatos estipula que a avaliação de desempenho avança este ano lectivo para os professores contratados e para os docentes dos quadros em condições de progredir, num total de sete mil.
Por outro lado, este ano lectivo as escolas adoptarão um regime simplificado aplicado de forma universal, tendo em conta apenas quatro critérios: ficha de auto-avaliação, a assiduidade, o cumprimento do serviço distribuído e a participação em acções de formação contínua.
Quer neste ano lectivo, quer no próximo, as classificações de "regular" e "insuficiente" terão de ser confirmadas com nova avaliação, no ano lectivo seguinte, antes dos docentes sofrerem eventuais efeitos penalizadores.
MLS.
Lusa

CRUNCH!


http://antero.wordpress.com/


P.S. O monstro ao menos não é sinistro…

Tenham vergonha

Comentando os documentos produzidos por dezenas de escolas, apelando à não assinatura, pela Plataforma Sindical, do Memorando de Entendimento com o Ministério da Educação, Mário Nogueira, dirigente da Fenprof afirmou:
"Vozes de burro não chegam ao céu, por isso esperemos que não escoiceiem perto de nós."
Convém lembrar o senhor sindicalista, que foi à plataforma que o ministério acenou com as cenouras!
Entretanto, no “site” da Fenprof foram publicados os alegados resultados (ainda provisórios) da votação, pelos professores, do Memorando de Entendimento. Terão votado favoravelmente 80,8% dos docentes, num universo de cerca de 50 mil, o que, a ser verdade, corresponde a cerca de 40 mil votos favoráveis. Ou seja, 105 mil docentes (mais de 72% da classe) não validaram o Memorando de Entendimento.
Mais, como quem se baba publicamente por um punhado de cenouras não dá garantia de competência ao nível do cálculo elementar, exige-se a publicação dos resultados escola a escola.
http://terrasdelisboa.blogspot.com/

terça-feira, abril 22, 2008

A preocupação de Paulo Guinote

Importa desde já fazer um pequeno registo de interesses. Este bloguista que vos escreve tem uma grande admiração pelo Paulo Guinote, acha que tem feito um grande trabalho na Educação do meu/seu Umbigo e tomado um conjunto de medidas que eram necessárias há muitos anos e que por falta de coragem política foram sendo sucessivamente adiadas.
(Onde é que eu já ouvi isto??)
O que se segue não é uma entrevista porque ao contrário da Lurdes Rodrigues, Guinote tem mais que fazer do que comer bolachas de água e sal ou mesmo de aveia e de aturar jornalistas que são a escória da sua profissão...
Enfim, bem agora já não sei bem de quem estava a falar... segue em frente!
A Educação do meu Umbigo é o blog em língua portuguesa com mais visitas de toda a estratosfera, desculpem blogosfera. Não há Pachecos que lhe cheguem ao umbigo, desculpem mais uma vez, aos calcanhares.É caso para dizer: "Anda Pacheco"
O homem tecla e tecla isso é indesmentível, até já foi alvo de piadas jocosas no sentido de tentar saber como seria possível conciliar o teclado que ele tanto preza com os seus outros afazeres nomeadamente o de ir ao café da esquina beber a bica...
Ele é um teclador. Comparativamente eu sou um mero teclista. Ele parece o Rick Wakeman tocando em dois sintetizadores ao mesmo tempo. Eu toco num só, dedinho a dedinho...
Mas o Paulo Guinote anda preocupado.É verdade o homem está preocupado e já fez várias referências a essa sua preocupação. E qual é o motivo de tanta preocupação?Anda a ficar com barriguinha. Pois é, pois é, não se pode ter tudo, não é?
Pronto, certo, ok, como eu quero que o Guinote continue com a sua missão evangilizadora - esta boca não foi famosa, pois não? então apaga aí...
ofereço-lhe um conjunto de exercícios para ver se ele fica com o físico mesmo a cem por cento. A educação do seu umbigo - refiro-me ao blog - não pode parar até porque se isso eventualmente acontecesse, os milhares e milhares de visitantes que por lá pupulam diariamente, iriam em procissão mais ou menos tumultuosa até à 5 de Outubro e, e, não, não posso dizer, porque este texto não é para maiores de 18 anos e a descrição seria demasiado violenta...portanto fico-me por aqui.


Então aqui vai um conjunto de exercícios para o Paulo Guinote para ele ficar "impeck"
- olha, mais uma palavra a introduzir no acordo ortográfico...


Acordo Ortográfico

Joe Berardo participa em discussão pública

O comendador Joe Berardo entrou na discussão pública sobre o novo Acordo Ortográfico e começou por lamentar a não introdução de uma série de vocábulos que, segundo ele, são indispensáveis. O comendador deu dois exemplos: faquime e nôuei.
«Não se percebe como é que esses senhores que se julgam donos da língua portuguesa, e que ganham balúrdios, não incluíram palavras tão importantes como faquime, que exprime desagrado e desprezo pela opinião de outra pessoa, e nôuei que quer dizer nem pensar, de maneira nenhuma.»
Joe irritou-se quando um jornalista lhe falou na posição brasileira sobre o Acordo: «vêm de lá esses gajos do ass de Judas dizer-nos a nós como devemos falar… nôuei.»
«Mas olhe que o dr. Mário Soares acha que as polémicas são uma guerra de alecrim e manjerona» - disse o jornalista. «Faquime…» - respondeu o comendador.
http://lobi.blogs.sapo.pt/

Sondagem SPGL



P.S. As sondagens valem o que valem, certo, já sabemos isso mas o resultado desta é do caraças!!!

O afundanço do dólar...


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Os pecados mortais de Bento XVI

Ainda durante o mês de Março, será dada à estampa uma nova encíclica de Bento XVI intitulada A Caridade na Verdade. Terá de se aguardar-se até lá, como é evidente, e só depois fazer-se uma leitura crítica do seu texto. Para já, no entanto, a partir de revelações antecipadas por altos cardeais da Cúria Romana, pode ir-se reflectindo sobre os tópicos principais do documento, tendo em conta a sua ideia central – a “questão social”.

Este catastrófico problema é abordado pelo Vaticano com a seguinte panorâmica: em todo o mundo muita pobreza, muita miséria, em contraste com a acumulação de imensas riquezas e a formação de excessivas fortunas pessoais; a injusta distribuição universal dos bens produzidos preocupa o Papa; a Santa Sé quer combater este estado de coisas com os seus próprios meios.

Por isso, Ratzinger foi buscar ao seu baú teológico a lista dos pecados mortais e acrescentou-lhes mais uns tantos: serão punidas com a condenação ao Inferno as almas daqueles que em vida cometam crimes contra o ambiente, participem em experiências científicas duvidosas, realizem manipulações genéticas, acumulem riquezas excessivas, consumam ou trafiquem drogas, provoquem pobreza, injustiça ou desigualdade social. É claro que esta necessidade de actualização da ficha dos pecados mortais só terá efeitos a nível da retórica católica. Em concreto, nada mais mudará. Bento XVI arrisca-se a pisar terrenos escorregadios.

SER IGREJA E SER NEGÓCIO

O Vaticano é fabulosamente rico e desenvolveu sólidas estruturas neocapitalistas. Por debaixo do verniz da religião irrompe, a cada passo, o mundo dos interesses e dos negócios. A reforma das finanças do Vaticano é antiga, não vem de agora. Surgiu em 1929, quando foi concluído o Tratado de Latrão entre o Estado fascista italiano e a Igreja Católica. Nessa altura, a título de indemnizações, Mussolini entregou ao Vaticano uma soma fabulosa muito acima dos 100 milhões de dólares. O mundo mergulhara numa grave crise financeira, com a falência da Bolsa de Nova Iorque. Era a altura ideal para investir e comprar. Foi o que fez o Vaticano. Criou a Administração Especial da Santa Sé e entregou-a a um capitalista extremamente competente, chamado Bernardino Nogara. Quase se poderia afirmar que é nessa altura, com a reforma financeira do Vaticano, que a ideia da globalização da economia começa a esboçar-se.

Os investimentos católicos foram aplicados segundo dois critérios. Num primeiro aspecto, comprando empresas e gerindo-as directamente, como foi o caso da Italgas. Em alternativa a essa metodologia, adquirindo posições accionistas em sociedades onde os capitais da Igreja se infiltram através de investimentos de interpostas pessoas. Foi deste modo que o Vaticano dominou e domina grupos de empresas na banca, no ramo eléctrico, nas comunicações, nas instituições de crédito, nos transportes, na agricultura, no tratamento de águas, nos cimentos, nos têxteis, nos seguros, etc. Tudo isto se passou – imagine-se! – há mais de 70 anos. O sistema financeiro da Igreja permitiu ao Vaticano acumular, desde então, nos seus cofres gigantescos tesouros. Depois de consolidadas as suas posições dominantes em Itália, o Vaticano alastrou o seu poder financeiro a todo mundo da globalização.

Um outro exemplo final, só para que se tenha uma ordem de grandeza das responsabilidades morais e materiais da Igreja na actual “questão social” pode ser dado pelos critérios expansionistas adoptados pelo Vaticano.

Nos anos 30, foi criado em Itália o IRI – Instituto de Reconstrução Industrial, com a finalidade de salvar os bancos italianos dos riscos de ruptura causados pela crise financeira mundial e de pôr em ordem as finanças dessas empresas. O IRI alcançou deste modo o controlo de 130 grandes firmas italianas. Transformou-se numa poderosa alavanca da concentração e fusão das empresas industriais. Por outro lado, autofinanciava-se: por cada lira recebida do Estado a IRI cobrava doze aos investidores privados. Passados anos, a instituição dominava 40% dos investimentos italianos na indústria.

Nogara apercebeu-se, desde o início, da importância estratégica do IRI. O Vaticano tornou-se accionista principal do grupo onde as acções emitidas e o crédito são disputados por mais de meio milhão de capitalistas. A tendência expansionista da Igreja ditou depois a criação de uma rede de filiais no estrangeiro, sobretudo no mercado norte-americano onde a IRI penetrou através do controlo de posições accionistas dominantes em gigantes como a US Steel Corporation, a Armco, a Raytheon, a Vitro Corporation e em muitos outros potentados industriais.

Veja-se só que Igreja é esta que nos bastidores domina e faz girar torrentes de dinheiro enquanto mantém perante o mundo a ficção da sua caridade e do seu voto de pobreza!...
Jorge Messias

http://www.infoalternativa.org/mundo/mundo284.htm

e lembrei-me de kafka

Iniciava o exercício, e o privilégio, de direcção e gestão de uma escola portuguesa: decorria o ano de mil novecentos e noventa e sete e o estabelecimento de ensino integrava um território de intervenção prioritário: ou seja, a escola estava rodeada por problemas sociais graves e isso inundava o seu projecto educativo.

Havia que arregaçar as mangas e consumir as energias todas no essencial.

Certo dia, recebo uma assistente social que, e ao que a memória me diz, representava os serviços sociais do ministério da justiça. Vinha com a firme determinação de ajudar a resolver um problema relacionado com uma família com as características da zona envolvente: a uma pobreza chocante, associava-se uma habitação degradada e só com um quarto; tinham sete filhos, salvo erro.

As minhas tarefas exigiam-me um alucinante desdobramento. Para ganharmos tempo, propus que os visitássemos: fomos a pé, a distância era curta, e fomos conversando sobre as soluções.

Estávamos em plena segunda-feira. Aproximámo-nos da habitação e quando nos preparávamos para bater à porta demos com um papel com a seguinte inscrição: "só recebemos assistentes sociais às 5ª feiras das 13.00 às 14.00".

Ficámos estarrecidos e sem palavras. Lá nos recompusemos, trocámos algumas opiniões sobre o futuro e partimos.

Mas não me esqueci da intrigante determinação. Tempos depois, encontro o pai da familia e interrogo-o: "fui a sua casa com uma assistente social mas o senhor não estava. Mas porque é que só recebe os assistentes sociais naquele dia?"

Respondeu-me prontamente:"sabe, o problema é o seguinte: passo a vida a receber assistentes sociais que vêm das mais variadas instituições; fazem-me inquéritos e mais inquéritos, querem saber tudo, devassam a minha vida toda e depois nunca acontece nada. E já lá vão uns anos nisto. Também tenho direito à minha privacidade. Sou pobre, eu sei, mas mereço algum respeito".

Teve, em mim, um efeito simultâneo: uma lição de vida e um redobrar de energias.
http://correntes.blogs.sapo.pt/80598.html

A Derrota das Maiorias

Estratégia fundada na ideia

"Vota à Direita ou à Esquerda; nunca no PS!"

Recebida por e-mail esta estratégia de um colega professor:

O governo governa com a maioria e não com as manifestações da Rua, diz o Sr. Primeiro Ministro. É verdade, se o PS não tivesse a maioria, o Governo nunca teria tido a coragem de insultar os professores, nem de aprovar o novo estatuto da carreira docente, que é um insulto a quem presta tão nobre serviço à Nação. Já foi votada no Parlamente por três vezes a suspensão do novo estatuto da carreira docente e das três o PS votou contra suspensão.

As maiorias só favorecem os poderosos, as classes trabalhadoras que produzem riqueza saiem sempre a perder. Assustaram o Zé Povinho com o deficit, para que fossem os mais desfavorecidos a pagá-lo. Vimos os vencimentos dos funcionários públicos congelados vários anos, o que fez com que perdessem 10% do poder de compra, mas nunca vimos apelar para que deixassem, durante algum tempo, de fazer férias nas Caraíbas, no Brasil… É fácil para quem tem vencimentos chorudos vir à Televisão pedir para que apertemos o cinto.

Colegas, chegou o momento de ajustar contas com o PS. Se este partido tivesse menos de 1% do votos expressos nas últimas eleições, não teria a maioria e nunca teria tido a coragem de promover esta enorme afronta aos professores. Somos 150.000 o equivalente a 3% dos votos nacionais expressos. Se nas próximas eleições, que são dentro de um ano, todos os professores votarem em massa em todos os partidos excepto no PS, este partido nunca mais volta a ter a maioria e será a oportunidade soberana de devolver ao Sr. Sócrates as amêndoas amargas que ofereceu aos professores.

Colegas, quem foi capaz de ir do Minho, Trás-os-Montes, Algarve, Madeira e Açores a Lisboa, também consegue nas próximas legislativas dirigir-se à sua assembleia de voto, e votar a derrota do PS.

Em Portugal há partidos para todos os gostos quer à direita quer à esquerda do PS, é só escolher, maiorias nunca mais.

Os professores para além de terem a capacidade de retirarem a maioria ao PS têm a capacidade de o derrotar, basta isso que os professores convençam metade dos maridos ou mulheres, metade dos seus filhos maiores, metade dos seus pais e um vizinho a não votar PS, e já são mais de 500.000, foram os votos que o PS teve a mais que a oposição.

Os professores estão pela primeira vez unidos, esta união é para continuar, e têm uma ferramenta poderosa ao seu alcance, a Internet, que nos põe em contacto permanente uns com os outros.

Senão vejamos, esta mensagem vai ser enviada a cinco colegas. Se cada um dos colegas enviar a mais cinco dá 25. Se estes enviarem a mais cinco dá 125. Se estes enviarem a mais cinco dá 625. Se estes enviarem a mais cinco dá 3.125. Se estes enviarem a mais cinco dá 15.625. Se estes enviarem a mais cinco dá 78.125. se este enviarem a mais cinco dá 390.625, isto é, o dobro dos professores que há em Portugal. À sétima vez que esta mensagem for reenviada todos os colegas ficarão a saber a informação que ela contém.

Começou oficialmente a campanha eleitoral dos professores contra o PS, com o slogan
"VOTA À DIREITA OU À ESQUERDA! NÃO VOTES PS!"
http://mobilizacaoeunidadedosprofessores.blogspot.com/

P.S. Em relação a esta questão para mim desde sempre é muito clara: Sou anarquista, logo não voto nessa pandilha dos partidos. Nem no PS nem nos outros. Nem à esquerda nem à direita. Mas reconheço que conjunturalmente o PS que pode ganhar as próximas eleições não o deveria fazer com maioria absoluta…

segunda-feira, abril 21, 2008

Woody Allen at Pompeu Fabra University, Barcelona


Trata-se do discurso de aceitação por Woody Allen do doutoramento honoris causa pela Universidade Pompeu Fabra (UPF)

APELO A SANTO ANTÓNIO

Ó meu rico Santo António
Meu santinho Milagreiro
Vê se levas o Zé Sócrates
P'ra junto do Sá Carneiro

Se puderes faz um esforço
Porque o caminho é penoso
Aproveita a viagem
E leva o Durão Barroso

Para que tudo corra bem
E porque a viagem entristece
Faz uma limpeza geral
E leva também o PS

Para que não fiquem a rir-se
Os senhores do PSD
Mete-os no mesmo carro
Juntamente com os do PCP

Porque a viagem é cara
E é preciso cultivar as hortas
Para rentabilizar o percurso
Não deixes cá o Paulo Portas

Para ficar tudo limpo
E purificar bem a coisa
Arranja um cantinho
E leva o Jerónimo de Sousa

Como estamos em democracia
Embora não pareça às vezes
Aproveita o transporte
E leva também o Menezes

Se puderes faz esse jeito
Em Maio, mês da maçã
A temperatura está a preceito
Não te esqueças do Louçã

Todos eles são matreiros
E vivem à base de golpes
Faz lá mais um favorzinho
E leva o Santana Lopes

Isto chegou a tal ponto
E vão as coisas tão mal
Que só varrendo esta gente
Se salvará Portugal

Na mais tradicional rima do cancioneiro Português

( Até ver... autor desconhecido)

Dinheiro cobrado pela ASAE não inclui "encore" de apreensões

O presidente da ASAE, António Nunes, vai cobrar, a partir de hoje, 150 euros por hora para participar em seminários, sessões de esclarecimento e intervenções realizadas em entidades públicas ou privadas. Por cada intervenção, António Nunes exige receber as Chaves da Cidade do município, cinco toalhas de linho, som quadrifónico, massagens shiatsu, camarim bacteriologicamente puro decorado ao estilo "Elton John", comida kosher, saladas com vinagre balsâmico de Modena, garrafas Evian à temperatura de 8º C, limusina, maquilhadora, serviços de engomadoria e 20 figurantes mascarados de fãs efusivos. O cachet não inclui determinados serviços que terão de ser pagos à parte, como as apreensões de queijo italiano mozzarella no bar do auditório ou o show das Nunetes, as cheerleaders da ASAE.
http://biscoitointerrompido.blogspot.com/

sem comentários


http://infoalternativa.wordpress.com/

O camarada


As saudades que o Engenheiro tinha de lhe chamarem Camarada. Realmente, mentira por mentira tanto faz.
http://www.wehavekaosinthegarden.blogspot.com/

A troca de correspondência entre um cliente e o seu banco que insiste em tratá-lo por engenheiro:

"(...)Na profissão, os senhores indicam-me como engenheiro civil. De facto, já tive muitas profissões, desde consultor a docente do ensino superior, tradutor e até escritor. Mas nunca tive o privilégio de trabalhar como engenheiro civil, até porque a minha licenciatura em engenharia física não mo permitiria. Como tal, agradeço-lhes que retirem esse dado da profissão, por não ser correcto nem relevante.

Com os meus cumprimentos,
José Luís Mxxxxxxxx"

"Estimado Cliente, Sr. José Luís Lxxx,

(...)
No que respeita à sua actividade profissional, e por forma a procedermos alteração da mesma será deste modo necessário que nos remeta uma cópia certificada ou original em papel timbrado de uma Declaração da Entidade Patronal, ou cópia certificada do Cartão Profissional, frente e verso, ou recibo de vencimento, desde que conste profissão, entidade patronal, situação contratual e data de admissão, documentação que poderá remeter via correio para a Remessa Livre n.º 25009, 1144- 960 Lisboa, não sendo necessário selo, ou em alternativa poderá apresentar os originais junto do Balcão.

Relativamente à certificação, a mesma poderá ser solicitada junto da Junta de Freguesia, dos CTT, do Notário ou Advogado.

(...)

Encontramo-nos à sua disposição para prestar os esclarecimentos necessários.

Com os melhores cumprimentos,

Montepio,
Direcção de Marketing e Novos Canais"

" Em resposta à vossa mensagem, tenho-lhes a dizer, com toda a sinceridade, não é da vossa conta a profissão que eu exerço ou deixo de exercer. Agora, o que não podem, de forma nenhuma, é atribuir-me uma profissão aleatória que eu nunca exerci, como é a de engenheiro civil. Portanto, agradeço que retirem qualquer menção à minha profissão dos vossos dados pessoais a meu respeito, ao abrigo do direito de rectificação que me assiste, de acordo com a legislação em vigor de protecção de dados pessoais informatizados. "

"Estimado Cliente, Sr. José Luís Lxxx,

Agradecemos, desde já, o seu contacto.

No seguimento da sua mensagem, e de acordo com a informação facultada na mensagem envida anteriormente, indicamos que por forma a procedermos à alteração da sua Actividade Profissional, será necessário que nos remeta a documentação solicitada, ou apresente a mesma junto de um Balcão, estando este procedimento de acordo com o Aviso 11/05 do Banco de Portugal.

A Caixa Económica Montepio Geral, no âmbito dos princípios que presidiram à redacção desse Aviso, tem vindo progressivamente a promover a actualização dos Dados Pessoais dos Clientes, sempre que as circunstâncias se enquadrem no espírito do referido Aviso.

Por este motivo, e lamentando qualquer incómodo causado, existe a necessidade de proceder à actualização dos seus Dados Pessoais, mediante apresentação de um documento comprovativo da sua Actividade Profissional. Em virtude de verificarmos que existem outros dados por actualizar, solicitamos também que nos remeta copia certificada do seu Bilhete de Identidade e Cartão de Contribuinte, ou apresente os mesmos num Balcão, para que se obtenham cópias e se proceda à actualização.

(...)

Encontramo-nos disponíveis para prestar os esclarecimentos que considere necessários,

Com os melhores cumprimentos,

Montepio,Direcção de Marketing e Novos Canais"

"Meus caros senhores,

Eu não vou enviar a documentação que me pedem, pois insisto que a profissão que exerço não lhes diz respeito.
Faço então o inverso do ónus da prova.
Mostrem-me os senhores os documentos em que se basearam para dizer que eu sou engenheiro civil. Quem sabe, de posse deles, até me possa candidatar a primeiro-ministro.
Se os senhores me garantem que só efectuam essas alterações de posse de documentos oficiais, então com certeza que tiveram acesso a um certificado de habilitações que os informou de que eu sou engenheiro civil (espero que não sejam da Universidade Independente). Pois, peço-lhes então que me enviem a mim uma cópia desses documentos, pois dava-me um jeitão acrescentar às minhas habilitações as de Engenheiro Civil, que não sou nem nunca fui. Mas, se realmente os senhores têm documentos que o provam, é porque deve ser verdade e eu começo a perceber como é que a situação de engenheiro civil é, neste país, uma situação muito transitória.

As vossas reservas tinham toda a razão de ser, se eu lhes tivesse a exigir que me atribuíssem habilitações que eu não tenho. Mas a situação é perfeitamente inversa. Estão a atribuir-me um curso que eu não tenho e uma profissão que eu não exerço. Não posso demonstrar que não sou engenheiro civil porque não existe certificado de habilitação de não-engenheiro civil.

Por isso, repito o direito que me assiste de corrigir dados pessoais informatizados que estão errados. E exijo que retirem a profissão de engenheiro civil.

Com os meus cumprimentos,

José Luís M"

"Estimado Cliente, Sr. José xxx,

Agradecemos o seu contacto o qual mereceu a nossa especial atenção.

Em resposta à sua mensagem, informamos que no momento em que procedeu Abertura da conta de depósitos à ordem o registo das Habilitações Literárias, não eram efectuadas de acordo com o Aviso 11/2005 de 13 de Julho do Banco de Portugal, o qual é transversal a todas as Instituições e que obriga nomeadamente aquando da actualização de dados pessoais, apresentação de comprovativo, bem como na emissão de Meios de Pagamento que os respectivos dados pessoais e profissionais encontrem-se devidamente actualizados.

Autrora [sic], as Habilitações Literárias eram inseridas de acordo com o indicado pelo cliente, podendo, por ventura ocorrer um erro na inserção da informação, não obstante, à presente data, para que possamos actualizar este elemento, será necessário, apresentação do Certificado de Habilitações, junto de um balcão ou envio de cópia certificada para a morada Remessa Livre 25009,1144-960 Lisboa.

Salvaguardando, desta forma, que no futuro possam estar associados bloqueios que comprometam a realização de operações através dos canais á distancia, nomeadamente do serviço Montepio24, ou junto das Caixas Automáticas.

Aguardamos a actualização deste elemento bem como dos solicitados na mensagem anterior, encontrando-nos disponíveis para prestar os esclarecimentos que considere necessários.

Com os melhores cumprimentos,

Montepio Direcção de Marketing e Novos Canais"

"Ou seja, segundo me estão a dizer, os senhores enganaram-se a pôr os dados, pois eu nunca disse que era engenheiro civil. Não tinha motivos para o fazer, pois nunca o fui e não estava a candidatar-me a um emprego como engenheiro civil na vossa empresa quando aí abri uma conta.

Ora, porque os senhores se enganaram, agora exigem-me um certificado de habilitações que certifique um grau que eu não tenho. Certo? Ou seja, vou à secretaria de uma faculdade de engenharia (penso que já não posso ir à Independente, porque parece que vai fechar) e peço-lhes que me passem um certificado de habilitações em como não sou engenheiro civil. Estou certo que devem ter lá um modelo para isso: Certificado de Habilitações de Não-Engenheiro Civil. Depois, mando-lhes uma cópia e já posso provar ao mundo que não sou engenheiro civil. Portanto, devo concluir que, de acordo com o vosso entendimento, qualquer cidadão que abra conta no vosso banco é engenheiro civil até prova em contrário...

Disse alguma coisa de errado até agora?

Não lhes passa pela cabeça que é um pouco kafkiano pedir a um cliente que rectifique os vossos erros informáticos apresentando um certificado de não habilitações que ateste que ele não é licenciado em engenharia civil?

Fico a aguardar o prazer de mais uma das vossas respostas, pois é um ponto alto do meu dia verificar até que ponto pode ir a rigidez burocrática de uma instituição. Peço-lhes ainda que não levem a mal eu estar a compilar esta nossa interessante troca de mensagens num texto humorístico que espero vir a publicar, tal é o despropósito de toda esta situação.

Com os meus estimados cumprimentos,

José Luís Mxxxxxxxx"

"Estimado Cliente, Sr. José Luís Mxxxxxxxx,

Agradecemos, desde já, o seu contacto.

No seguimento da sua mensagem, vimos informar que a situação que nos reportou foi encaminhada para o departamento competente. Após obtermos uma resposta, procederemos de imediato ao envio de uma mensagem.

Encontramo-nos disponíveis para prestar os esclarecimentos que considere necessário.

Com os melhores cumprimentos,

Montepio
Direcção de Marketing e Novos Canais"
"Com a curiosidade que o momento requeria, fui consultar os meus dados, para ver se já tinham sido devidamente rectificados. Deparei-me com a seguinte pérola da titularite aguda que assola este país:

Quando consegui parar de rir, respondi com a seguinte mensagem em três fascículos (só nos são permitidos 2000 caracteres de cada vez)

Estimadíssimos Senhores,

Fiquei muito feliz por ver que, finalmente, tiveram a amabilidade de agir sobre os meus dados pessoais.
Constato que ainda não lhes é possível usar o meu número de telefone porque começa por 30 e isso faz muita confusão ao vosso departamento de informática.
No entanto, folgo em constatar que não perderam o sentido de humor no que toca aos restantes dados pessoais.
Assim, nas habilitações literárias, de licenciado fui despromovido a 12 ano. Na verdade, tenho o grau de mestrado em física tecnológica, mas como não faço tenções de lhes apresentar provas desse facto, fico muito satisfeito por ao menos me reconhecerem o 12º ano sem necessidade de prova formal.
Como não penso que sejam elitistas ao ponto de me tratarem pior por ter uma mera escolaridade obrigatória, o 12º ano fica muito bem, pois também me deu muito trabalho a fazer e, de facto, possuo esse grau. Deixemos, portanto, as habilitações literárias que estão muito bem assim.
No título honorífico, puseram "sem título honorífico". Não posso deixar de confessar que me doeu essa dura chamada à realidade. Mas, de facto, não me considero titular de nenhum título de nobreza (tive um trisavô visconde, mas acho que já não conta), não fui ordenado sacerdote, nunca recebi nenhuma comenda e, à semelhança do nosso Primeiro-ministro, não estou inscrito em nenhuma ordem, tenho de me conformar à minha condição de vulgar plebeu sem título honorífico quando, para mais, me recuso a mostrar-lhes o certificado de habilitações. Portanto, também aqui no título honorífico, estamos de acordo. Sou simplesmente o José.
Agora, na profissão... aqui temos um problema. O problema para o qual lhes tenho vindo a chamar a atenção: o facto de eu não ser engenheiro civil, tornou-se agora bastante mais grave. É que acusam-me de ser engenheiro civil sem estar inscrito na ordem (caso contrário teria o título de Eng.) e, horror dos horrores, com as habilitações literárias de um 12º ano. (Continua).

É que nem o nosso primeiro-ministro se atreveu a reclamar o título de eng. civil com um simples 12º ano. Ele tem, pelo menos, o título do ISEC e, in dubio pro reo, afirma que concluiu a licenciatura em engenharia civil.
Os senhores, ao dizerem que eu sou engenheiro civil sem estar inscrito na Ordem dos Engenheiros (caso contrário, tinha o eng) e com um simples 12ºano de habilitações literárias, colocam-me numa posição muito delicada, incorrendo mesmo num crime de usurpação de título. E eu não tenho o aparelho do maior partido político português a proteger-me as costas quando a coisa der para o torto.
Finalmente, chegamos ao Nome preferencial, onde contrariam disposições anteriores e me apelidam de Eng. J. L. Mxxxxxxxx. Ora bem, até há umas semanas atrás, eu não teria grande coisa a opôr, visto que sou licenciado em engenharia física e todos os licenciados deste país são doutores e engenheiros. Infelizmente, agora os tempos são outros. Só pode reivindicar-se engenheiro quem estiver inscrito na Ordem dos Engenheiros. Ora, para minha grande vergonha, não pago quotas a tão nobre instituição, pelo que terei de abdicar daquelas três letrinhas. Nem sequer posso pedir um simples "lic" ou um "mestre", porque na minha teimosia me recuso a entregar-lhes o certificado de habilitações. Portanto, proponho que fique simplesmente o José Luís Mxxxxxxxx ou o Zé, para os amigos.

Lamento o trabalho tempo e esforço que essas alterações possam causar. Espero até não provocar um precedente grave que os obrigue a ir pedir a todos os vossos clientes Drs. e Engs. o certificado de doutoramento ou o cartão de membro da Ordem dos Engenheiros, respectivamente.
Mas peço-lhes, rogo-lhes, suplico-lhes, retirem o mal-fadado "Engenheiro Cívil" da minha ficha de dados . Nunca chamei a ninguém nenhum nome que não fosse merecido. Esse é claramente imerecido. Prometo manter todas as minhas contas no vosso estimável banco. Mas, por favor, não digam a ninguém que eu sou engenheiro civil.
Do sempre vosso,

Zé"

(recebido por mail)

Convém não esquecer as reivindicações aprovadas pelos 100000, no dia 8 de Março

Alguns pontos essenciais dessa Resolução aprovada, em Lisboa, no dia 8 de Março, por 100000 professores:
1. a) Renegociação dos horários dos Professores Avaliadores; b) Exigência de pagamento das horas extraordinárias, relativas às aulas de substituição;

2. a) Renegociação do ECD, particularmente, a estrutura da Carreira Docente e a sua divisão em categorias, bem como a prova de ingresso na profissão; b)Renegociação do Regime de direcção e gestão escolar;c) Renegociação da legislação aprovada sobre a educação especial;d) A garantia de que nenhum Docente será remetido para a mobilidade especial.

3. Fim da Divisão da Carreira em duas;

4.Recusa liminar de fazer depender a progressão na Carreira dos resultados dos alunos e do abandono escolar;

5.Renegociação da componente assiduidade na avaliação, recusando que as faltas não imputáveis aos Docentes entrem nesse item de avaliação;

6.Renegociação do modelo de avaliação pelos pares.
http://www.professoresramiromarques.blogspot.com/

Novo Decreto Regulamentar ratifica avaliação simplificada

A Plataforma deve afirmar, hoje, a sua concordância com o teor do projecto de Decreto Regulamentar que ratifica a avaliação simplificada. A reunião vai ocorrer hoje e marca o início do processo negocial. A peça-chave do novo decreto regulametar é o artigo 8ª: "são ratificados todos os actos dos órgãos de agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas que procedam ao desenvolvimento de processos de avaliação simplificada".
Teria sido uma vitória dos professores se o modelo de avaliação simplificada tivesse sido adoptado em definitivo. Assim, aplicado apenas a este ano lectivo, não foi vitória nenhuma. Está mais do que visto que a batalha definitiva entre os 100000 professores, que estiveram na Marcha, em 8 de Março, e o Governo vai travar-se no dia das eleições. A guerra que o ME declarou aos professores vai continuar. A entrevista da ministra da educação ao CM de ontem é bem a prova disso. A guerra defensiva que os professores vão ter de travar vai passar, sobretudo, pela luta contra o PS. É por isso que, a partir de hoje, este blog se assume combativamente anti-ps. Sugiro a todos os colegas que editam blogs que façam o mesmo que eu: coloquem, em local bem visível, a seguinte frase: "O Governo desfigurou a profissão docente. Sou professor: não voto PS!"
http://www.professoresramiromarques.blogspot.com/

P.S. Em relação a esta última parte do texto do colega Ramiro Marques a minha posição sempre foi muito clara. Sou anarquista, logo não voto nessa pandilha dos partidos. Nem no PS nem nos outros. Mas cada um faz o que muito bem entender…

Próximo candidato ao PSD!


http://suplementodealma.blogspot.com/